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Jornalismo com seriedade 

Lêda Maria

Jornalismo e publicidade. Atividades complementares, relação de interdependência. Os veículos jornalísticos se alimentam da publicidade, e essa se vale da credibilidade do veículo buscando uma adequação editorial, e de público, a fim de atingir os seus objetivos. O jornalismo prima por um bom conteúdo e pela informação verídica construindo uma imagem de seriedade que atrai, por si só, bons anunciantes. Instituições que gozam de credibilidade e prestígio anunciam em veículos com a mesma identificação. Uma relação de troca e parcerias na informação.

No entanto, quando essa relação saudável compromete o mercado de notícias e pode, até certo ponto, definir a linha editorial, o padrão ético do jornalista é violado e medidas devem ser tomadas. E como a medicina da prevenção é a mais indicada, a revista Carta Capital tem priorizado o jornalismo independente. Não que ela se prive de anúncios comerciais, mas sua principal meta é a informação crítica e com isso tem cumprido seu papel social.

Fundada em 1994 por Luís Carta, a revista tornou-se um importante e respeitado meio de comunicação. Logo, seria inviável analisar a questão jornalismo versus publicidade sem avaliar suas ponderações sobre tal assunto. A Carta dedica 80% de seu espaço para matérias e 20% a anúncios publicitários. O impresso sugere sua missão informativa e denota seu relacionamento sem saia-justa com os anunciantes.

Variação cambial, investimentos, pacotes anuais são fatos e fatores que de alguma forma influenciam na geração de recursos das revistas semanais, e conseqüentemente a Carta. Esta vem se consolidando junto ao mercado leitor e melhorando seu desempenho na venda de publicidade. Com uma linha de raciocínio crítica, que freqüentemente acaba sendo encarada como de oposição, ela por vezes assusta com sua linguagem direta e apelativa. Entretanto, tem procurado uma melhor programação como mídia a fim de se tornar preferência entre os investidores.

Sem "pasta de dente"

"De modo geral, nós estamos interessados no tipo de publicidade institucional. Essa é uma revista onde você anuncia propaganda institucional de um banco, não uma pasta de dente" afirmou o diretor de redação da revista, Mino Carta. Engajada no estudo crítico, e voltada para um nicho de leitores com um alto poder de decisão e influência, a Carta oferece um mercado em potencial para as empresas se projetarem no cenário nacional. 

Mino explica que a Carta Capital "se destina a um público no mínimo perplexo, dentro de acontecimentos e que se pergunta: 'Será que eu acreditei nas coisas certas ao longo da minha vida, será que eu não fui enganado?' Tem que ser um público privilegiado". 

Hoje, é um periódico notável e admirado pela forma como pauta suas matérias e anúncios. O que é de se esperar de um impresso com tal frente editorial. "Eu particularmente acho que a Carta Capital é uma revista contra a corrente, é uma publicação diferente das outras no sentido de que ela exerce o estudo crítico em fiscalização ao poder", opinou Mino. 

No mundo jornalístico onde muitos se deixam "manipular" pela classe publicitária, a Carta quebra paradigmas e investe num diferencial mais sério das outras revistas. Sério, porque a informação é o que motiva jornalistas. Jornalistas incentivam os leitores. E, leitores preparados, geram uma sociedade melhor. Voltada para a política, economia e cultura, a Carta Capital prima por um quociente social fidedigno e sabe que, jornalismo com seriedade é jornalismo independente.
 

                                       


criação: lisandro staut