|
|
|
editorial |
especial | debate | imprensa
em foco|
links
mídia eletrônica |
cultura | perfil |
nostalgia
olho
vivo | canal do leitor
| e-mail |
expediente
anteriores | próximas edições | inicial
Pequeno,
só o nome
Gisele Garcia
Muitas vezes, as aparências enganam. Assim é com o Jornal Pequeno, que de pequeno só tem o nome. O jornal foi lançado em São Luiz, no Maranhão, em 1951 no dia 29 de maio quando um "homem deu à luz" a um pequeno jornal, esse que disputaria mercado com
O Combate, Jornal do Povo, Tribuna, O Imparcial e
O Globo, do grupo Diários Associados; Diário de São Luís e
Diário Popular.
O jornalista José de Ribamar Bogéa fez história com seu conceito apartidário; sendo o principal objetivo do jornal defender os interesses do povo do Maranhão, "doa a quem doer". Ele queria um veículo com liberdade. Criou uma nova linguagem jornalística, inusitada para aqueles tempos, com colunas como: "O Mundo em Poucas Palavras", "Defendendo o Nosso Povo", "Coisas que Acontecem", "Língua de Trapo", "No Cafezinho", "Dicionário do Povo".
Ribamar Bogéa faleceu em 1996. Atualmente, quem comanda o jornal é seu filho Lourival Marques Bogéa. Contanto, é uma empresa familiar e todos os irmãos trabalham no jornal: Josilda, Ribamar Bogéa Filho, Luiz Antônio, Guremberg. Todos orientados pela presidente da empresa, Dona Hilda Bogéa, viúva de Bogéa.
De tamanho restrito e feição gráfica modestíssima, o Pequeno se tornou o diário mais popular de 1950. Era grafado nas caixas de tipo, praticamente feito à mão. Hoje, com 53 anos de existência rendeu-se à era da informática. A equipe atual possui cerca de 30 integrantes. Mesmo sendo um jornal " pequeno", já incomodou políticos grandes como José Sarney.
Segundo o Pequeno nenhum político tentou, por meio de propinas, "comprar" o jornal para falar bem de Sarney. Mas quando assumiu o governo do Maranhão, ele ofereceu a Ribamar Bogéa uma renovação total do seu parque gráfico. Disse que, como tal, poderia conseguir financiamentos para Bogéa renovar todo o maquinário. Bogéa não aceitou.
Por várias vezes disse aos filhos que se tivesse aceitado a "oferta" de Sarney, hoje o Pequeno talvez não existisse. Acreditava que poderia inviabilizar o jornal com os altos empréstimos, e que, em não tendo condições de honrar os compromissos assumidos, Sarney lhe tomaria o jornal, que naquela época já tinha nome e muita credibilidade.
A condenação do seu fundador, José Ribamar Bogéa, pelo então governador, José Sarney, foi publicada pelo
jornal. A condenação aconteceu somente no Maranhão, porque Bogéa recorreu, ganhou no
Superior Tribunal de Justiça, por 7 votos à zero, e foi absolvido. Sarney, governador do Maranhão, moveu uma ação contra o dono do jornal devido a denúncias graves feitas pelo então deputado Freitas Diniz. Como Freitas tinha imunidade, Sarney processou Bogéa e conseguiu condená-lo com a anuência dos desembargadores do Tribunal de Justiça do Maranhão. Estava tão ansioso para colocar Bogéa na cadeia que o condenou "sem direito a
sursis. O recurso ao STJ foi imediato e o fundador do JP foi absolvido. As denúncias se referiam a questões de terra".
Sursis é referente a livramento condicional.
Uma questão recente que foi abordada pelo jornal foi "que Sarney e sua filha Roseana andaram pressionando o presidente do STJ, o maranhense Edson Vidigal, e cobrando-o por ter conseguido audiências com os ministros José Dirceu, da casa Civil, e da Aeronáutica para o governador José Reinaldo Tavares? Chegaram a ter discussões ríspidas recentemente. Pai e filha não aceitam que um governador do Maranhão seja recebido em audiências por ministros sem passar por eles, principalmente por Sarney, que há quase 40 anos trata o Maranhão como se fosse sua fazenda".
"As peripécias de Sarney e Roseana no Maranhão dão uma história e tanto. Principalmente agora, com esse grito de independência que o governador José Reinaldo resolveu dar, não aceitando que a filha do presidente do senado e seu irmão mandassem no governo, como queriam mandar", relata Lourival Marques. Parece que a rivalidade também passou de pai para filho.
De pequeno para grande
Passados 53 anos, o JP divide a maior fatia com o jornal O Estado do Maranhão, do grupo Sarney, seguido de
O Imparcial. A distribuição do jornal é feita em toda a ilha de São Luís e, por enquanto, 30% do interior. Está em plena execução de uma campanha de interiorização com o objetivo de chegar a 80% das cidades maranhenses. Conseqüentemente o JP é o veículo noticioso mais atualizado, e se dedica para isso, pois o jornal realiza os fechamentos das edições mais tarde que seus concorrentes.
Não são somente os grandes jornais que passam por dificuldades e ameaças. Os pequenos também enfrentam os grandes, justificando o ditado que diz que tamanho não é documento.


|
|