editorial | especial | debate | imprensa em foco| links
mídia eletrônica 
| cultura | perfil | nostalgia
  olho vivo | canal do leitor | e-mail | expediente

anteriores
| próximas edições |
inicial


Jornalismo amador

Cristiane Pacheco

Quem não gosta de saber mais sobre o que se passa no lugar onde trabalha, saber o que acontece com os companheiros de profissão, conhecer melhor seu chefe? E olhar para ao redor e se dar conta que têm pessoas que ainda não conhece, por estar sempre correndo, ocupadas com os seus afazeres, querendo fazer uma reclamação e saber que todos tomarão conhecimento a respeito daquilo que se reivindica?

Foi pensando nisso e em outras dificuldades encontradas pelos funcionários da multinacional Komatsu do Brasil - empresa localizada em Suzano, primeira fábrica de máquinas de construção japonesa fundada no Brasil - que uma equipe lançou em junho de 2002 um jornalzinho que hoje é a marca registrada da empresa: o Jornaleko

O Jornaleko é um house organ comum, possui apenas oito páginas, duas colunas fixas que são as mais lidas pelos funcionários. A coluna é chamada de "Madame Margô", uma versão mais saudável sobre fofoca em que se brinca com os "micos" cometidos pelos funcionários no decorrer do trabalho. Essa coluna conta justamente com a participação direta dos operários, "pois quem conta melhor os fatos do que a pessoa que o sofreu", afirma Magda Adriana Hida, responsável pelo jornal.

"Sempre que me encontro com algum funcionário, eles comentam que a melhor coisa do jornal é a Madame Margô, que sempre surpreende com suas anedotas". Ela diz ainda que a coluna do Yamazaki também é uma das mais lidas pelos operários, pois relata a história dele como imigrante japonês enfrentando dificuldades com a diversificada cultura dos brasileiros.

"É engraçado ver como eles lidam com o Jornaleko. Isso também é reconhecido pelos diretores da Komatsu", complementa Magda, que diz já ter conversado com eles a respeito do fim do house organ devido à responsabilidade e disponibilidade que o veículo necessita. A empresa não conta com uma equipe responsável pelo Jornaleko, são pessoas de outros setores, como Magda, que produzem o jornal. O jornal foi criado como meio de informação para os funcionários, pois às vezes as informações não chegavam a eles. Hoje, entre outras, essa meta já foi alcançada.

"Nos só lemos o jornal para saber qual a fofoca que ele traz de fulano ou de sicrano", comentam dois funcionários, José Sebastião e Gerinaldo Santos, que trabalham na área da soldagem. Eles ainda afirmam que sempre que podem, também fornecem conteúdos para as colunas.

Outro fator importante que o Jornaleko aborda é a questão da segurança dos operários. A empresa possui uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), que é responsável pelos acidentes, incidentes e prevenções. Outra fórmula encontrada pela Cipa foi criar uma sessão de desenhos e textos em que os filhos dos funcionários participam de concursos estimulando os pais a auxiliar seus filhos e explicando como usar os equipamentos de segurança.

Há também no jornal uma sessão responsável por fornecer informações referentes ao meio ambiente e à qualidade da empresa. Os aniversariantes recebem uma parte especial cada mês com o respectivo cargo. 

O jornal é diagramado por Débora Lopez e impresso pela Gráfica & Editora Ponto a Ponto. Possui uma tiragem de mil exemplares e abrange também os fornecedores e clientes da empresa. A partir do próximo ano o jornal será mandando também para o Japão.