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A arte de fazer um jornal universitário

Dayse Bezerra 

A preocupação com a divulgação cresceu muito nas universidades públicas. Um exemplo disso é a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O setor de assessoria investe em jornais internos com projetos, pautas e materiais produzidos pelos alunos e corpo docente do campus.

A crescente comunicação interna da Unicamp produz um jornal impresso, o portal online e um plantão de assessoria de imprensa e atendimento, que procura atender, por meio de dados e pesquisas, noticiar o que é relevante para a Unicamp. O jornal atrai o leitor pela capa colorida, com imagens de fotos ampliadas e infográficos. A diagramação é distribuída em temas específicos, porém sem classificação de cadernos. Possui uma diversidade nos tipos de letras e tamanhos de textos. 

Geralmente a matéria de capa ocupa duas páginas, recheada de infográficos, quadros e imagens que incrementam a reportagem. Contendo doze páginas, os anúncios ocupam um espaço pequeno, de duas a cinco publicidades nas extremidades do jornal. 

O semanário focaliza as informações que acontecem dentro e fora, ligadas à Unicamp. Para quem prefere o mundo virtual, o acesso livre do Portal da Unicamp, traz as atualidades, agendas, divulgação dos cursos e projetos realizados pela universidade. Isso desperta o interesse dos pré-universitários, a satisfação dos alunos e professores, promove e divulga trabalhos e serve para outros como fonte de pesquisa em assuntos e projetos específicos.

Quem cuida de toda essa área da comunicação interna é o Plantão de Atendimento à Imprensa da Unicamp. Distribuído gratuitamente, o JU passa por todas as etapas de uma redação jornalística de grande porte, mantendo um ritmo acelerado desde o levantamento das pautas até o fechamento do jornal às quintas-feiras, após a reunião de pautas.

A produção

A assessora de Comunicação e Imprensa da Unicamp, Raquel do Carmo, conta como é o ritmo corrido da redação: "Entre segunda e quarta-feira, enquanto faço o levantamento de pautas o restante da equipe se dedica a entrevistas e produção de textos." Ela salienta a loucura do fechamento: "Os editores dificilmente conseguem encerrar o processo antes das 21 horas da sexta-feira." 

Um levantamento realizado em julho/setembro de 2004, sobre a distribuição temática dos temas divulgados pela Imprensa da Unicamp, constatou que o assunto mais pautado no JU e no Portal da Unicamp se relaciona às ciências humanas (46,1%). Com 17,2%, assuntos institucionais, 15,2% das tecnológicas, e 8,1% para saúde e artes. O espaço para publicação de artigos é pequeno, com 4,1% e internacionais, 1,2%.

A apuração é minuciosa, principalmente porque o público-alvo do jornal, formado praticamente por universitários, tem o veículo como fonte para pesquisas. Por abordar assuntos científicos e tecnológicos, primeiro são desenvolvidas as sugestões em bancos de teses a serem defendidas e relatórios de projetos temáticos da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa) e CNPq. 

Os pauteiros freqüentam os laboratórios e fazem um corpo a corpo com os pesquisadores e alunos. Segundo Carmem, redatora de Ciência e Tecnologia do JU, a maior dificuldade nestes bancos, após a primeira seleção, são os termos técnicos utilizados nos títulos e resumos das pesquisas. Na hora de fazer a matéria, ela explica que procura "decifrar o conteúdo com algumas palavras-chave e, sobretudo, dimensionar o alcance social do projeto".

As práticas jornalísticas são obedecidas pela Assessoria de Imprensa da Unicamp. As matérias são criteriosamente apuradas, revisadas e escritas com uma linguagem simples buscando o interesse da sociedade, mesmo porque se trata de uma universidade pública. 

Algumas edições do JU fizeram sucesso pelo impacto que produziram na mídia, como dos especiais temáticos sobre energia no período do apagão, em junho de 2001, e sobre os 40 anos do golpe de 1964.

Outra matéria com grande repercussão foi a publicada na semana entre 28 de junho e 4 de julho/2004 e que virou notícia em veículos como o Globo Repórter. A matéria contava a incrível história da catadora de rua, Selma Morgana Sarti, que em uma das coletas nas madrugadas nas ruas do bairro do Butantã, resgatou do lixo fotos, retratos e documentos originais da escritora, jornalista e militante política Patrícia Galvão, a Pagu. Na reportagem, a catadora doou o material ao Arquivo Edgard Leuenroth (AEL), da Unicamp.

Para Ricardo Noblat, em A arte de Fazer um Jornal Diário (2002), "um jornal é ou deveria ser um espelho da consciência crítica de uma comunidade em determinado espaço e tempo". A arte de fazer um jornal universitário está no que o espelho reflete da consciência da sua comunidade, ou seja, no que o JU reflete dos seus alunos e acadêmicos.