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"Microrréplicas"
Paulo Tetzner
Conhecido pelos leitores como jornal ou informativo de entidades e empresas, o
house organ tem como função divulgar fatos e realizações dessas. Ferramenta importante na comunicação entre diretoria e funcionários, entidades e leitores, os
house organs podem trabalhar com diferentes enfoques, diferenciando-se um do outro, por meio da linha editorial adotada.
Alguns são produzidos exclusivamente para funcionários e utilizam uma linguagem mais simples, informal, abordando assuntos do dia-a-dia das empresas, como aniversariantes do mês, admissões, etc. Outros para clientes e prospectos abordam uma linguagem mais formal, trabalhada, utilizando ilustrações e foco das notícias direcionado ao público-alvo.
Mas com o avanço tecnológico é cada vez mais comum a produção de house organs buscando atender públicos distintos por meio dos boletins eletrônicos e interativos, disponíveis nas
intranet. Esta fragmentação torna a notícia mais dinâmica e versátil, em que a mensagem se torne mais adequada ao público.
Jornalismo distante
Todo veículo de comunicação é alvo de análise e crítica por diferentes profissionais de diversas áreas do mercado brasileiro. E com os
house organs não poderia ser diferente. Em uma análise bastante rigorosa, o jornalista Wilson da Costa Bueno, diretor da Contexto Comunicação e Pesquisa, professor do programa de pós-graduação social da Umesp e professor de Jornalismo da ECA/USP, afirma que "a maioria dos
house organs está muito distante do que se poderia considerar uma produção jornalística de qualidade".
Bueno diz que pode radicalizar ainda mais: "os nossos house organs, não são sequer veículos jornalísticos, na verdadeira acepção do termo". Para Bueno, ainda que tenham evoluído na questão gráfica e incorporado à figura do jornalista em seu processo de produção, os
house organs, pecam no conceito e na prática. "Quem os analisa mais de perto, confirma que não passam de clones falsos de jornais e revistas e que lhes faltam a alma, a essência, o 'ethos' da atividade jornalística, ou seja, os
house organs não compartilham seu DNA com os veículos de imprensa", desabafa o
jornalista.
Pequenas demonstrações
Seguindo-se o princípio de crítica jornalística, dois veículos podem ser estudados como exemplificação da produção de
house organs. O Pioneiro, e o Portal Diocesano. O Pioneiro é um jornal informativo distribuído mensalmente aos funcionários da empresa Terra Viva, líder no ramo da agrifloricultura instalada na cidade de Santo
Antônio de Posse, interior de São Paulo.
O Pioneiro foi fundado em 1980 e atualmente é comandado por Sueli Coimbra. Com uma tiragem de aproximadamente 1150 exemplares o jornal leva aos funcionários informações, conhecimentos e fatos ocorridos dentro da empresa e demais unidades. Segundo Sueli, o jornal também é levado a pessoas que não fazem parte do quadro de funcionários, para que elas analisem e formem opiniões próprias, para crescimento do veículo.
Para o funcionário e engenheiro agrônomo, Ivan Rossetti, o informativo é muito importante, pois é por meio dele, que os empregados ficam conhecendo quais os projetos - inclusive sociais -, atividades físicas e culturais, programas de segurança, treinamentos e entretenimentos ocorrido em todas as unidades da empresa.
Mas um problema detectado no informativo é a falta de expediente. Todo jornal, revista ou informativo deve, segundo a lei de imprensa, ter um expediente. É por meio deste que as pessoas conseguem fazer contatos para críticas e também elogios, saber quem é o responsável e qual a tiragem do veículo. Sueli comenta ter conhecimento e consciência do problema, mas por falta de espaço não é possível colocar.
O Portal Diocesano é um informativo da Diocese de Limeira. Esta possui 52 paróquias e mais de 300 comunidades. Com apenas dois anos de criação e fundação, tem como principal objetivo informar a população todos os fatos e eventos de maior relevância que ocorrem nas comunidades e paróquias da Diocese.
O diretor-geral do informativo e bispo da Diocese de Limeira, dom Augusto Zini Filho, comenta que o
jornal "não foi feito para ocultar e sim para ser compartilhado entre todos".
Com uma tiragem de onze mil exemplares, o Portal, possui seu expediente completo, com responsáveis desde a impressão, até diretor de arte, publicidade, colaborador, supervisão, jornalista e diretor-geral.
Como todo jornal, os house organs são passíveis ou de apreciação ou de crítica pejorativa. Sua função é sempre a de informar, mas, o que lhes confere o crédito de veículo jornalístico - imparcialidade, apuração dos fatos e busca pela notícia - deve ser cultivado mesmo que seja direcionado a um pequeno público. Como foram percebido, alguns têm deficiências, enquanto outros se destacam excepcionalmente. De qualquer, jornalismo é um título, e para ser definido como tal, tem uma função a ser exercida, informar.
Seguindo esse propósito, uma titulação só vem a partir de uma ação, então, posto que um papel impresso informe, é jornalístico. Está creditado. Os pequenos impressos têm sua importância e ações que lhes impute isso, e mesmo não sendo expressivos já conquistaram seu espaço. Mas que justifiquem, suas impressões e não continuem se tornando "falsos clones de jornais".


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