|
|
|
editorial
| ombudsman |
debate
| imprensa
mídia |
cultura |
perfil | nostalgia
| opinião
em
tempo | olho
vivo | leitor
| e-mail | expediente
anteriores
| próximas
edições | inicial
Papinha
de nenê
Fabiana Amaral
Crianças loirinhas, mães com aspecto saudável, e famílias perfeitas. Quem falou Caras errou feio! Tem muito mais conteúdo. É a
Crescer. Pois é assim que soa a revista global, fundada em 1992, à primeira vista. Para alguns, um tanto insossa, mas muito procurada pelas mamães de primeira viagem.
A revista está dentro da proposta de segmentação e até ultra-segmentação das revistas atuais. Pode até não saber, mas está. Tanto que nos primórdios podia ser resumida apenas numa revista para gestantes.
Quem folheia a Crescer se depara com o tipo de matéria durável, permanente, daquelas que passam por várias mães até acabar toda esfacelada nas mãos dos pequenos rebentos. E é bem isso que acontece com a revista. É do tipo que uma compra quando engravida e vai passando de amiga para amiga até que todas tenham parido.
As dicas são de todos os tipos, desde como dar papinha até como as mães podem reagir quando a criança faz xixi na cama. As marinheiras também podem de deleitar com a moda para gestantes e cosméticos mais avançadas para evitar "coisas" que atendem pelo nome de estrias, gorduras localizadas e outras do gênero.
Apesar dessa áurea de completa harmonia, algumas sutis discrepâncias podem ser percebidas. Por exemplo, uma onda liberalista na educação contrastando com uma linha moralista na formação de casais. Explica-se: Em sua maioria, as propagandas e fotos editoriais mostram famílias estruturadas ou, quando sozinhos, os pais deixam bem saliente a aliança na mão esquerda, que até onde se sabe é casamento. Em contrapartida, alguns pontos da educação, como deixar que o filho libere sua raiva ou tenha uma voz mais alta na própria educação, também são marcantes.
Em 2001, porém, essa coisa de barrigudas e pequerruchos se ampliou um pouco, dando espaço nas páginas de
Crescer para a família completa e aspectos da educação que fossem além do berço. A idéia, óbvio, era aumentar as vendas.
Com idéias retóricas e clichês para lá de conhecidos a revista não chega a ser um elixir da educação. A
Crescer tem algo de meio óbvio, que não prejudica e até dá uma mãozinha na hora de saber o que fazer com as fraldas sujas. Mas tendo em vista o que a mídia e a sociedade estão preparando para a nova geração, será necessário muito mais que rostinhos bonitos e matérias requentadas para ensinar a nova geração de pais. É preciso crescer para entender o que virá.


criação: lisandro staut |
|