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Jornalismo e exoneração

Kedley Angelo

Na mídia impressa, a concentração de capital da economia acarreta em seu conteúdo. Por estar concentrada, a imprensa causa de forma acentuada as demissões do mercado de trabalho. Cerca de 35 mil jornalistas atuam em todo o País, mas nem todos trabalham com carteira assinada.

Nos veículos da família Marinho, os meios impressos estão sentindo uma depressão financeira maior que os eletrônicos. Para sair da crise, a Editora Globo busca uma estrutura administrativa e de produção que facilite o capital. A revista Época, carro-chefe do grupo, recentemente apostou em papel diferenciado para a capa e passou a entregar um aparelho de DVD para quem adquirir sua assinatura.

Na verdade, Época está em crise desde sua inauguração, em maio de 1998, em parceria com a revista alemã Focus. Época procurava ser mais noticiosa do que interpretativa, peculiaridade que não agradou a todos. Com o tempo, ela igualou-se às demais. 

Em termos de venda, Época geralmente ultrapassa a IstoÉ, mas nunca perde para a Veja. Ora, se levado em consideração seu pouco tempo de existência, Época está à frente das outras. O retorno, porém, ainda é insatisfatório.

Seu primeiro diretor de redação, José Roberto Nassar, permaneceu por um ano. A direção então passou para Augusto Nunes, responsável pelas transformações do veículo. Depois de algum tempo, Paulo Moreira Leite assumiu a direção, sendo substituído por Aluízio Falcão Filho, atual diretor. A notável passagem de quatro diretores de redação em cinco anos de existência reflete uma crise ideológica ou de conteúdo.

A saída de Moreira Leite, em maio deste ano levou junto 13 funcionários, integrantes da equipe mais próxima ao diretor de redação. Falcão Filho alega que as demissões são para reduzir gastos da publicação. Esta já é a quarta vez que o veículo faz cortes, no período de um ano e meio. Aos poucos, para reduzir ainda mais os gastos, Época diminui o número de colunistas. De uns tempos para cá passou a atrasar os pagamentos. Medida, segundo eles, tomada em prol da economia.

Costurando a crise

Com a chegada de Falcão Filho, a Editora Globo espera que tenham fim os boatos que contaminam o mercado sobre sua situação financeira delicada. A editora é uma das maiores empresas se preocupando com a crise que estaciona o consumo de seus produtos.

A crise na Editora Globo não vem de hoje. Em 1998, ano em que Época foi lançada, a editora tirou de circulação as revistas Faça Fácil e Moda Moldes voltadas ao público feminino e ao artesanato. Foram demitidos cerca de 250 profissionais da redação e de outros setores. Saiu também de circulação a revista SpeakUp, decorrente da recessão em meio às dificuldades que assombravam o mercado naquele período.

A Editora Globo procura uma forma de se adequar às temporadas difíceis, conseguindo estruturas para seguir rumo ao lucro. Afinal, seria ingênuo pensar que seria o idealismo e não o lucro que reina nas rotativas do império Marinho.

                                       


criação: lisandro staut