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Noticimagem
Kedley Angelo
Por vivermos em uma sociedade pós-moderna, somos constantemente bombardeados por imagens. Imagens que se fixam em tudo, impregnam desde simples embalagens de produtos e se estendem aos meios de comunicação. Como não poderia deixar de ser, elas se fazem presentes nos jornais, lado a lado com a notícia, dividindo ou multiplicando opiniões sobre um mesmo assunto.
Há alguns anos, alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente proibiram a veiculação de imagens de menores em situações que provoquem afrontas, como um menor abandonado com tarja nos olhos, catando lixo ou cheirando cola com o rosto desfocado. Nem mesmo de costas, os infantes podem ser fotografados. Muitas vezes os jornalistas apelam para fotos chocantes, em que exploram as circunstâncias vividas por crianças.
Mas, ao contrário de que muitos pensam, o fato de não tirar proveito da imagem infantil não impossibilita a denúncia da imprensa aos crimes e calamidades.
Ao analisar os impressos O Estado de S. Paulo e Folha de S.
Paulo, nota-se que eles utilizam uma relação sobre a sociedade mediada por imagens. Em ambos, a ideologia dos meios vai de encontro à Presidência do País. As imagens usadas para retratar algo relacionado ao governo são elaboradas de forma a rebaixar o poder. Elas transmitem ao leitor um "olhar vago" dos governantes, fazendo com que pareçam distantes, alheios ao que acontece. Isso é feito de maneira sutil, para não ser muito impactante.
As fotos de cunho internacional, precisamente as relacionadas ao Iraque, são mostradas pelo
Estadão enfocando o domínio e o controle dos Estados Unidos, por meio dos estragos explícitos vistos nas imagens. O presidente George W. Bush é mostrado como um justiceiro, pronto a aniquilar o inimigo.
Já a Folha explora as imagens dos Estados Unidos como sendo inofensivos ao Oriente Médio. As fotografias usadas são as que apontam os danos causados à potência americana.
O mesmo diário costuma empregar fotos sensacionalistas. Há casos em que ocupou quase uma página inteira com imagens que mexiam com o emocional. Investiu bastante no caderno
Folha Ilustrada, em que se encontra um pouco de cultura geral, que vai desde obras de artes, comentários da programação de TV, cinema, rádio e, até mesmo, sátiras ao
governo Lula. Conta, assim, com esse aparato para prender o leitor, que cada vez mais sente necessidade do visual.
Em busca da contemplação
Os acidentes e transtornos não deixam de ser um prato cheio para ambos os jornais. Ultimamente, as mensagens têm se enfraquecido, perdendo espaço para o visível. O que todos buscam é uma notícia que informe apenas na contemplação.
As imagens encontradas em jornal relatam ação, fazendo com que o leitor sinta entusiasmo em buscar a notícia, efetuando a compra de um periódico que agrade aos olhos. A circulação da informação se dá a custa de imagens, que comprometem sua qualidade, deformada de acordo com a inclinação do veículo.
A imagem é a mola propulsora capaz de desviar o olhar crítico e tornar o indivíduo dependente de estímulos, que o levam cada vez mais à contemplação. Trocando em miúdos, a imagem prende a atenção, faz com que a sociedade se volte apenas para o que está manifesto em cores ou mesmo em preto e branco. Leitores, ou melhor, admiradores de imagem, deixaram a reflexão cair no obsoleto.


criação: lisandro staut |
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