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O
outro lado da imagem
Katianne Jouguet
A conclusão de que a imagem substitui a reflexão proporcionada pelo texto não pode ser aplicada a todos os veículos de comunicação e em todas as ocasiões. De fato, por diversas vezes a fotografia e a imagem têm a intenção de causar impacto e sensacionalismo. Noutros casos, porém, elas são fundamentais para o complemento do texto. Existem impressos que buscam valorizar o visual para a transmissão de conteúdo histórico e científico. Uma delas é a
National Geographic Society.
Criada em 1888, nos Estados Unidos, a revista National Geographic era e continua sendo de cunho científico. Nas primeiras páginas do exemplar de inauguração estava escrito que "a sociedade geográfica nacional foi organizada para aumentar o conhecimento geográfico difuso, (...) estimular a investigação geográfica e provar um meio aceitável para a publicação dos resultados".
Depois de aproximadamente 115 anos de existência, a revista se tornou uma das mais conhecidas e importantes do mundo. Até 1998, haviam sido publicados 182 mil fotografias e 9.400 artigos. Atualmente, circula o mundo com cerca de dez milhões de exemplares mensais em 18 idiomas: chinês,
tcheco, dinamarquês, holandês, finlandês, francês, alemão, grego, hebraico, italiano, japonês, coreano, sueco, tai, turco,
norueguês, polonês, português (Brasil e Portugal), espanhol (América Latina e Espanha). Apenas no Brasil, onde atualmente é publicada pela Editora Abril, sua circulação é de aproximadamente 65 mil cópias. Sem contar nos outros 89 países.
A abordagem de assuntos culturais, arqueológicos e históricos teve êxito pela maneira de exposição dos mesmos. O impresso enfatiza a fotografia. É lógico que existe texto, mas sua leitura raramente é consumada.
Na National, a imagem é primordial. Não é à toa que o periódico é constantemente premiado pela qualidade de suas fotografias. Pudera, a revista investe nisso. Tem um arsenal de fotógrafos espalhados pelo globo. Conclui-se que a razão do seu sucesso é, sem dúvida, a exploração da imagem.
Para Monique dos Anjos, atendente dos leitores, "a importância da foto e dos textos é a mesma. Só optamos por fotos de qualidade que valorizem a matéria e não para competir com ela". Mas será que a imagem não compete com o texto? Ainda mais quando se apresenta em demasia?
Por mais que a fotografia não tenha sido manipulada, ela exerce um poder de atração muito maior que o texto. A sociedade anseia por tudo mais fácil. E não só a
National Geographic sabe disso, mas todos os veículos de comunicação. O impacto do visual persuade multidões e, ao contrário do lema da revista, desestimula a investigação, a crítica.
É claro que a National é um estilo de veículo diferente de um semanário factual. Nela, a imagem não é utilizada para denegrir um cidadão, explorar a sexualidade ou aumentar o ibope de um artista. Todavia, por mais que o não-verbal seja inofensivo ou espetacular, seu poder de influência nas pessoas é, no mínimo, notável.

criação: lisandro staut
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