editorial | ombudsman | debate | imprensa
mídia | cultura | perfil | nostalgia | opinião
  em tempo | olho vivo | leitor | e-mail | expediente
anteriores | próximas edições | inicial

Formação essencial

Cíntia Sandri

Ser jornalista é um direito apenas de diplomados no curso de Jornalismo, segundo a lei n.º 972 de 1969. Para a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), a formação jornalística é desenvolvida a partir de um processo multidisciplinar, envolvendo a ética da profissão, cultura abrangente e domínio da língua. 

Com o currículo iniciado em 1993, a USP acredita que a formação complementar é necessária, incluindo aí disciplinas das ciências humanas, exatas, biológicas, artes, letras e comunicação. Ponto negativo, pois, por vezes, a grade amplia demais seu leque de atuação, proporcionando generalizações em vez de especializações.

Ao verificar a grade de jornalismo da USP é possível perceber uma diferença quantitativa entre as disciplinas teóricas e as práticas. Há um vasto currículo teórico, justificado por procurar proporcionar um suporte maior aos alunos, principalmente nos primeiros anos do curso. Talvez guiados pela teoria de que sem a teoria não há um bom desenvolvimento na prática.

No terceiro semestre, o aluno pode escolher as matérias que continuará no seu currículo. Isso, de certa forma, torna o curso mais interessante, porque o aluno estuda o que é de seu interesse.

Jornais-laboratório

Para colocar toda essa teoria em prática o curso dispõe de jornais-laboratório como: o boletim da Agência Universitária de Notícias (AUN), o Jornal do Campus, o Jornal da USP e a Revista USP. A mídia televisiva e radiofônica não foi citada propositadamente. Restrinjamo-nos à palavra escrita.

A AUN nasceu em 1967. A proposta inicial incluía a publicação de um boletim diário, distribuído a jornalistas de São Paulo e do Rio de Janeiro, especialmente do interior. Em 2000, a Agência chegou às páginas da web. Com isso, o boletim deixou de existir, ou melhor, tornou-se virtual. Atualmente, a AUN pauta assuntos relativos a saúde, meio ambiente, educação, comportamento, economia, entre outros. Curiosa é a participação dos alunos: apenas no quarto semestre do curso.

O Jornal do Campus, por sua vez, é o principal jornal-laboratório dos universitários. Criado em 1982, o jornal quinzenal dá espaço ao debate universitário, e noticia o cotidiano da universidade, com destaque para o esporte e a cultura. Como o próprio nome sugere, a linha editorial norteia-se para o público interno (leia-se estudantes).

Favor não confundir o Jornal do Campus com o Jornal da USP, o veículo mais conhecido e mais antigo da universidade. Sua periodicidade é semanal, com tiragem de 20 mil exemplares. A linha editorial é mais selecionada, digamos assim, dando destaque para a pesquisa. Os professores da USP são os que mais lêem o jornal. 

A Revista USP, veículo caçula, foi criada em 1988 para se tornar uma ligação entre a universidade e a sociedade. Com uma tiragem de três mil exemplares, o projeto da revista conta com uma seção temática chamada "Dossiê". Colaboradores da própria USP e estudantes de outras universidades enviam suas matérias para a redação, que são analisadas e publicadas se estiverem de acordo com a política editorial do periódico.

Quanto vale um diploma

Atualmente, o mercado de trabalho do jornalista se tornou tão competitivo que ter um diploma na USP, por si só, não muda tanta coisa assim. O mundo está nas mãos dos profissionais bem preparados, daqueles que, independentemente da profissão, procuram a excelência nos seus serviços. É preciso buscar um diferencial, algo que vá além da sala de aula.

Assim, a prática que a USP proporciona é indispensável. É produzindo que o aluno vai saber se está ou não preparado para o mercado de trabalho. Mas é preciso deixar bem claro, que nenhuma prática funciona sem uma boa teoria, a verdadeira teoria. Ao dosar corretamente a parceria entre a teoria e a prática, percebe-se que ambos são importantes.

A teoria é a base para o diferencial exigido pelo mercado de trabalho: a prática. Esta, por sua vez, não pode ser negligenciada pela universidade. O verdadeiro diploma está no conhecimento, a verdadeira prova de sua formação.

                                       


criação: lisandro staut