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Saúde
é tudo
Diogo Cavalcanti
É sexta-feira, quatro da tarde. O editor-chefe está à beira de um colapso querendo fechar a revista, mas existem lacunas. Quando se dá conta percebe que já são cinco horas e o trabalho não acabou. A tensão toma conta da redação. Às cinco e trinta, um editor traz os últimos textos e o diagramador os insere. Seis e dez a revista sai para a impressão. Sábado à noite já está nas bancas. Eis o drama de um periódico semanal.
Pode-se até pensar que o ritmo de trabalho em revistas como Veja, IstoÉ,
Época, Carta Capital e seja mais tranqüilo em relação aos diários. Entretanto, a máxima que circula os botequins - "a vida não é fácil" - não deixa de ser real para jornalistas dos meios de comunicação que sobrevivem a um caos cíclico quatro vezes ao mês. E isso tem o peso sobre a saúde.
Logicamente, na luta contra o tempo, os jornalistas de semanais levam vantagem. Por outro lado, a própria natureza da notícia com que lidam contribui para um clima tenso na redação.
A investigação, e certo grau de atratividade que o meio deve possuir, levam os editores a buscarem notícias bombásticas, artigos ácidos e por vezes comprometedores. Casos que exercem influência na política e na sociedade atam uma pesada responsabilidade no jornalista, que concentra em suas investigações, pesquisas e alguns riscos.
A interdependência é fundamental. Desde o colaborador da reportagem, até o designer que constrói os gráficos, ambos convivem numa simbiose que deve contribuir para a sobrevivência do meio em que trabalham. Mas depender de outros também gera tensões. Isso quando o cenário não é apimentado por inimizades.
Na linha cruzada entre público atento e chefes exigentes, está o jornalista flutuando sobre ovos torcendo para não quebrar nenhum. Muito menos o ovinho de vidro da reputação. Os experientes têm mais respeito, porém não imunidade. O que sobra é estresse, enquanto diminui a saúde.
A incoerência desse "caos" de interesses nos semanais chama atenção. São eles que dão as melhores dicas sobre estresse, alimentação e relacionamento. Enquanto a saúde do pessoal da redação, por vezes não sai da terapia intensiva.
O "pecado capital" do jornalista é publicar reportagens sobre estresse e não fazer nada para controlar o próprio. É apontar o caminho para uma velhice saudável, quando ele mesmo nem chega a atingi-la. É ter a mesma expectativa de vida que a de um escritor extremamente romântico do século dezenove.
Saúde é tudo. Uma outra máxima preferida dos botequins. Todavia, pouquíssimo praticada por seus freqüentadores. Tal discrepância não está longe da realidade de muitas redações. Longe do ideal, é uma clara realidade.


criação: lisandro staut |
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