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Homossexualismo nas revistas: um mito de verdades

Rômulo Gomes

São muitas as formas de falar sobre homossexualismo. Afinal, nem todas as pessoas aceitam a forma que lhes é moldada essa mensagem. Por tal artifício, surgem inúmeros impressos que transmitem o conteúdo de forma diferente, seja na linguagem, no uso da imagem ou na estética. As revistas são os meios mais acessíveis para a construção de senso crítico à temas polêmicos como este. Mas atualmente existe dúvida quanto aos critérios usados para a formação dos juízos empregados nestas revistas com relação ao homossexualismo.

Algumas revistas têm um histórico que lhes promulga uma relevância tão grande quanto sua influência e circulação. A maioria das pessoas letradas e iletradas do Brasil, já ouviu falar das revistas Veja, Carta Capital, Isto É, e as mais idosas talvez, O Cruzeiro. Estas revistas construíram uma reputação que forneceu estrutura para circular nos lares de muitas pessoas no Brasil. Durante o período em que essas revistas surgiram, trabalharam com a realidade de uma forma que não suscitava dúvidas quando à idoneidade do seu trabalho. 

A atualização constante dos profissionais e dos meios utilizados para fazer uma mensagem chegar ao receptor modificou a produção de uma notícia. Essa atualização trouxe consigo outras circunstâncias que se tornaram muito importante para a imprensa. Por exemplo, antigamente, Victor Civita, não se preocupava em ferir uma ou outra fatia da sociedade se esta estivesse envolvida num escândalo, ou se tivesse um papel importante no cenário mundial. Hoje em dia, na própria reunião de pauta se deve pensar na influência de certas pessoas no órgão para que elas não tenham as imagens feridas pelo próprio veículo em que cooperam. Sejam participantes na publicidade, nas ações da empresa, etc.

Quando o assunto é homossexualismo, não há uma interferência muito grande na imprensa, visto que a relevância deste grupo nas redações não é muito grande. Entretanto, o preconceito internalizado pelas pessoas pode modificar a decisão de uma notícia ou na forma que vai ser transmitida. Dificilmente, algum jornalista vai querer insistir em quebrar um conceito que já foi imortalizado na imprensa, e isso também se refere à postura tomada em relação aos homossexuais.

Por mais que tenha se banalizado este assunto na mídia por meio de novelas, filmes e afins, ainda não se viu algo que seja contundente nas revistas. É certo que em momentos de ápice, como na última novela de Manoel Carlos, Mulheres Apaixonadas, em que foi marcante a importância dada a um casal de lésbicas na novela, as revistas foram tentadas a esgotar o assunto. Fizeram isso de uma forma diferente da usual para que atraíssem o leitor, mas logo o assunto se esfriou.

Parte do problema de se perceber ou não a postura de uma revista quanto ao homossexualismo, deve-se ao fato de ter poucas revistas que sejam relevantes no cenário nacional. E as mais importantes, como Carta Capital, e Veja têm uma linhagem embrionária parecida. Ambas foram gestadas por Mino Carta. A revista Carta Capital permanece sob sua tutela ainda hoje. Apesar de não estar mais na Veja, Mino Carta, deve ter deixado, e também adquirido, algumas características que fizeram com que a visão dada aos homossexuais seja parecida nas duas revistas. No caso da revista Isto É, a relevância do assunto não tem sido muito inerente ao que a revista tem buscado, mesmo sendo mais sensacionalista.

Outro fator de preocupação para interpretação do preconceito sobre homossexualismo nas revistas é a educação superior. Muito se discute sobre a preparação dos profissionais com vista ao mercado. Esse, ao selecionar seus eleitos tende a manter sua postura, que nem sempre é apologética ao homossexualismo. Portanto, a afiguração deste assunto na mídia tende a ser uniformemente enquadrada e expressada. 

Na revista Z Magazine, o professor de lingüística do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), Noam Chomsky, explicou porque alguns preconceitos são "adquiridos" por jornalistas em sua profissão: "As universidades não são instituições independentes. As pessoas que não se ajustam à estrutura de uma empresa, que não a aceitem e não a internalizem, não podem nela trabalhar. Então, provavelmente será excluída durante o caminho. Há vários dispositivos para filtrar essas pessoas que pensam independentemente e que possam criar problemas." É nesse ínterim que Chomsky, revela a função da universidade.

Os jornais não querem funcionários que não se adeqüem aos seus princípios. Portanto, para que uma instituição se torne reconhecida por ter muitos de seus egressos no mercado de trabalho e com isso consiga mais popularidade, deve zelar por certas formas de ensinar que priorizem um ensino focado nos funcionários que as empresas querem. Neste âmbito, a produção do senso crítico é excluída. 

Ainda sobre o problema das instituições de ensino, Chomsky menciona que a dificuldade de se apreender algo de diferente nas redações quanto ao preconceito seve à criação que as pessoas tem se dignado. Pressões internalizadas formam jornalistas acostumados a cobrir uma notícia de acordo com o que acreditam e isso interfere na produção jornalista imparcial, que na verdade não existe, mas poderia ser cultivada. 

Assim uma pessoa que já tem uma posição tomada em relação ao homossexualismo vai tentar mantê-la. Mesmo que para isso tenha que deixar de ouvir alguma fonte que poderia dar uma visão diferente da notícia. Por isso, muitos artigos e entrevistas das revistas mais renomadas no Brasil têm sido tão inconseqüentes e ao mesmo tempo populares. Porque é um senso comum, este preconizado na imprensa. Desta forma o preconceito deve continuar reinando por um bom tempo. 

Mesmo que os diretores digam que agora a revista "X" está diferente, mais liberal ou mais crítica, as tendências pessoais de cada jornalista ainda vão influir na escolha da notícia e forma que será abordada. Isso não será mudado em pouco tempo, mas como várias coisas já foram banalizadas na imprensa, o preconceito ao homossexualismo possa deixar de existir. Entretanto, pode-se ter que esperar um bom tempo para que isso possa acontecer. 

                       

  

criação: lisandro staut