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Uma raça sem preconceito

Neanis Lutzer

O Brasil já passou por diversas fases em sua História desde seu descobrimento. Intrigas, índios e também o preconceito racial. Felizmente, esse último não prevaleceu como antigamente. Apesar de ainda existir pessoas, ou comunidades, que se perpetuam negativamente neste assunto.

Para tanto, um veículo de comunicação também entrou na história racial, mas de maneira positiva. Com o rápido aumento das revistas de moda e beleza, voltadas para um público branco, sentiu-se a falta de algo mais específico. Surge então a revista Raça Brasil, em 1996, que revolucionou a maneira como a mídia brasileira encarava os negros. Atualmente tem como editora-chefe Conceição Lourenço, jornalista formada há vinte anos.

Rapidamente, este veículo se tornou um fenômeno. Seu lançamento fez tanto sucesso que foi necessária a reimpressão de mais 100.000 exemplares para repor os 200.000 já vendidos nas bancas.

A revista ocupou a liderança em um nicho de mercado ainda não explorado pelo setor editorial brasileiro. É uma revista estritamente voltada para o público negro, que inclui dicas de moda, beleza, saúde, entretenimento, comportamento, sexo, entrevistas, etc.

A publicação era bimestral, até o momento, com a edição n.º 72. No entanto, a partir do n.º 73 - deste mês de abril - o veículo passa a circular mensalmente e sofre reformulações editoriais e projeto gráfico. 

Outra característica muito importante foi o fato do mercado publicitário aumentar muito seu poder, com a inclusão de propagandas e produtos voltados especialmente para negros. Com o grande faturamento aparente, empresas de cosméticos descobriram o grande potencial de compra deste público. Grandes fabricantes de produtos de beleza investiram rapidamente neste segmento, com linhas específicas para pele e cabelos.

Quem acha que não vale a pena investir em um público que aparentemente não faz muita diferença na comunicação, se engana. O negro está atingindo, há muito, um alto grau de aceitação na mídia, fazendo com que empresas olhem com mais atenção a estes novos clientes.

A Raça foi criada, não porque outros veículos tinham preconceitos, mas porque não haviam descoberto o potencial que o público negro exerce no mercado. Felizmente, os diretores da revista agiram em função desta descoberta. E agora vivem em função dela.

O perfil dos leitores da revista é basicamente de mulheres, entre 20 e 35 anos, pertencentes às classes A, B e C. Os leitores brancos compõem a minoria. "São simpatizantes", como diz Marco Antonio Assub, do departamento de marketing da revista. Seus leitores são supervaidosos, que se auto-afirmam por meio da aparência.

Assub diz que várias empresas como "bancos já contratam modelos negros para suas campanhas. Quem quiser atingir uma grande parcela e generalizar sua comunicação, não pode deixar de fora essa raça".

Raça Brasil é bem específica em diferenciar seu objetivo de outros veículos. Tem a "missão" de elevar a auto-estima do negro brasileiro. O ponto forte da revista está em atingir um público diferenciado, mas não menos importante. É por isso que eles não têm concorrentes.


                  
                              

             

criação: lisandro staut