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Evangelho preconceituoso

Katianne Jouguet

A revista religiosa Enfoque Gospel, mostra um leve preconceito social. Publicado pela empresa de comunicação MK Publicitá, tem circulação mensal e atua no mercado desde agosto de 2001. 

Ao mesmo tempo em que revista fala do combate ao preconceito, apresenta preconceitos. Principalmente em relação ao homossexualismo e a outros "ismos". Em uma matéria sobre o ato sexual no casamento, o impresso cita que "há na Bíblia cinco pecados bem definidos na questão sexual: incesto, bestialismo, homossexualismo, adultério e prostituição". ("Na cama com prazer", agosto/2003). 

O impresso utiliza a Bíblia e opiniões de religiosos para mascarar a sua opinião. No entanto, nota-se uma contradição de idéias. 

O pastor batista, Washington Rodrigues Souza, em seu artigo cita: "Não é possível o preconceito, a arbitrariedade, o sadismo, mas existe um fio que ninguém quer puxar, nem mesmo as igrejas, pois estão acuadas, com medo de qualquer tipo de retaliação ou ataque deliberado dos meios de comunicação, especialistas em sabotar opiniões: a Bíblia condena o homossexualismo." ("Homossexuais: Uma dúvida no mundo todo?", setembro/2003)

Essa declaração afirma que existe preconceito religioso e, logo mais, assume que o mesmo deve ser evitado. "Sem fanatismo e sem preconceito, deveríamos olhar o que deixamos cair na lama, representantes de todas as classes, pretos e brancos, homossexuais e heterossexuais, avaliando a vida diante de uma ética maior, a de Deus".

Normalmente, o editorial da revista não segue esta ética maior. O preconceito é visível. O fato não está em condenar o preconceito, mas em expor somente um ponto de vista num veículo de comunicação que, embora institucional, deveria expor os dois lados se mantendo neutra. Todavia, o periódico, não age desta maneira.

Em um artigo intitulado "Preconceito", o doutor em Teologia, Russel Shedd admite que é errado fazer discriminação preconceituosa. "Como a palavra 'prejudice' (preconceito, em inglês) quer dizer julgar antes de conhecer os fatos, concluímos que a discriminação preconceituosa é errada". Russel fala sobre o preconceito racial e de classes. E ainda conclui que "[a] Igreja de Jesus Cristo tem o privilégio de servir de vitrine para as vítimas do preconceito, bem como daqueles a rejeição de pessoas sem motivo maior do que a cor de sua pele ou cultura". ("Preconceito", julho/2003).

Parcialmente, o preconceito é algo a ser combatido. Agora, quando se trata do tema homossexualismo, Enfoque Gospel continua seu massacre. Como já foi dito, esse tipo de preconceito é bem visível. Porém, não deveria focalizado com tamanha intensidade.

Na seção de acontecimentos internacionais do impresso evangélico da edição de agosto de 2003, há uma série de manchetes com respeito ao homossexualismo. Tais notícias se mostram polêmicas: "Canadá: casamento gay X igrejas"; "Indicação de bispo gay abala anglicanos"; "Gay ora no Congresso". Aparentemente existe uma neutralidade na exposição de fatos que revolucionam os paradigmas religiosos.

Todavia, a opinião da revista, no início da seção "Acontecimentos", evidencia a imparcialidade inexistente. "A Bíblia é veemente quando o assunto é homossexualismo. Entre outras coisas, diz que a prática é abominação para o Senhor e que os seus praticantes não herdarão o reino de Deus. Ponto Final." ("Situação Alarmante", agosto/2003).

A revista Enfoque Gospel é enfática quando o assunto é homossexualismo. O veículo utiliza argumentos bíblicos contra tal prática. No entanto, todo meio de comunicação deve sempre apresentar as duas versões para o seu público. É o leitor que deve formar a opinião. Aí sim, o lema da revista seria exatamente colocado em prática: "A informação que valoriza o seu ponto de vista".



                            
                        

            

criação: lisandro staut