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Cultura se disCult

Katianne Jouguet

Em meio à multifacetada gama de veículos de comunicação, poucos são voltados para a cultura. A maioria preza pelo entretenimento e/ou pelo factual. Existe, porém, um veículo que se distingue desta maioria - a revista Cult. Essencialmente literária e cultural, atingiu em pouco tempo, prestígio nacional.

Criada em 21 de julho de 1997, a revista de cunho literário começou causando impacto. Sua primeira capa não apresentou um ícone da literatura, mas sim um líder revolucionário: Che Guevara. A partir de seu lançamento, o periódico mensal, tinha como jornalista-responsável e editor Manuel da Costa Pinto. Este dizia que Cult foi criada para atender a toda a população e não somente a elite.

Inicialmente, as primeiras edições da revista tinham a colaboração de Cláudio Giordano, E. M. de Melo e Castro, Heitor Ferraz, Ivan Teixeira, Jaime Alberto da Costa Pinto Jr., José Guilherme R. Ferreira, Len Berg, Pasquale Cipro Neto, Renato Pompeu, Rodrigo Lacerda, Sérgio Mauro. Destes colaboradores, se tornaram colunistas Cláudio Giordano (Memória em revista) e Pasquale Cipro Neto (Na ponta da língua). O outro colunista era João Alexandre Barbosa (Biblioteca imaginária).

Próxima de completar sete anos de existência, a revista passou por mudanças administrativas. A partir de fevereiro de 2002 começou a ser editada pela Editora Bregantini. A atual editora, Daysi Bregantini, substituiu o jornalista Manuel da Costa Pinto. Os colunistas também mudaram: Alexandre Agabiti Fernandez, Claudio Willer, Renato Janine Ribeiro, Roberto Romano.

Por este motivo, houve uma pequena reformulação nas seções da Cult. Isto fez com que a revista conservasse, quase na íntegra, espaços importantes: Dossiê, Entrevista, do leitor, Agenda. E houve o acréscimo de outras seções: Seleção Cult/livros, Seleção Cult/música, Ética & Política, Radar, Cinema, e outras.

A essência e a qualidade do conteúdo continuaram iguais. Basta observar os temas explorados nas matérias de capa. Dentre as matérias de capa que se destacaram, nota-se a presença de personalidades importantes - principalmente nacionais - da literatura, história e arte: João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira, Nelson Rodrigues, Sérgio Buarque de Holanda, Fernando Pessoa, Raquel de Queiroz, Clarice Lispector, Umberto Eco, Arnaldo Jabor, Chico Buarque, Dias Gomes, Sartre, Nietzsche, Karl Marx, Theodor Adorno, dentre outros. 

Porém, suas matérias de impacto fogem da literatura. No entanto, não deixam de ser culturais. Logo, destacam-se determinadas matérias: "Carandiru, o cotidiano da prisão: do livro ao filme" (n.º 61), "Hitler, a fisionomia do genocídio" (n.º 67), "Cristianismo e modernidade" (n.º 64), "Arte e publicidade segundo Washington Olivetto" (n.º 61, Entrevista).

Apesar de ser um veículo novo, a Cult já alcançou um público considerável. Sua tiragem é de 30 mil exemplares, sendo oito mil assinantes, e venda em bancas entre 15 e 18 mil. Seu objetivo, que era atingir a massa com temas culturais, está cada vez mais se concretizando. A população carece de conhecimento cultural e artístico. A maneira como a revista explora a cultura, tem chamado a atenção do público. 

Outras duas revistas concorrentes da Cult, também tentam incorporar uma parcela deste público: a Bravo! e a Possível, revista bimestral lançada em maio de 2003. 

Gradativamente, os meios de comunicação estão se conscientizando e começando a produzir materiais de qualidade. A população continua carente de conhecimento cultural. A mídia é o principal meio para suprir tal carência. Pena que poucos veículos se conscientizam disso.
 

                       

  

criação: lisandro staut