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Uma
pintura mensal
Gabriel Ferreira
O mercado das revistas culturais no Brasil era pequeno. Em 1997, este cenário foi mudado por Luiz Felipe D'Ávila, que apostou num segmento do mercado pouco explorado. O fato é que, em pouco tempo, a revista
Bravo! se tornou leitura obrigatória para a elite da sociedade. D'Ávila foi um visionário que executou um de seus sonhos ao fundar a
Bravo! pela própria editora, a Editora D'Ávila, em outubro de 1997. A revista é composta por somente seis editorias. Temas de relevância atual são abordados para manter seus leitores culturalmente bem informados.
Começando do básico, o periódico incute o prazer à leitura por meio da editoria "Livros"; o gosto e apreciação de boa arte plástica com "Artes Plásticas"; a emoção na editoria "Cinema"; o interesse por boa música em "Música"; o valor que deve dar à informação em "Televisão"; e o prazer de ver arte feita pelo pela expressão corporal em "Teatro e Dança". Todas estas editorias contêm no mínimo dois artigos, um espaço para crítica, e por fim notas referentes ao tema explanado.
A última editoria - Seções - apresenta várias sub-editorias, tais como a "Bravograma", que consiste numa amostra rápida do que a revista irá informar. "Gritos de Bravo!", é um espaço em que o leitor pode escrever e criticar o publicado. "Ensaio!, a arena livre para as idéias e os conceitos de quem tem o que dizer".
De acordo com Almir Freitas, editor-chefe da Bravo!, "a tiragem da revista é de 30 mil exemplares. Mas existe uma expectativa de que ocorra um salto em breve". O público-alvo é formado essencialmente pela classe A e B. Mas também inclui professores, estudantes e outros setores da classe média.
Na virada do ano aconteceu algo inesperado. O periódico cultural passou a ser administrado pela Editora Abril. Após o fechamento da edição de fevereiro pela Editora D'Ávila no dia 19 de janeiro, a Abril passou a ser responsável pela
Bravo!. Entretanto, Freitas esclareceu que a revista continua a ser publicada pela D' Ávila. Foi feito um regime de parceria entre ambas. Com relação a possíveis mudanças, disse não haver transformações, e que o objetivo da equipe é continuar oferecendo os melhores textos e apresentação gráfica.
E por falar em apresentação gráfica, a
diagramação da Bravo! é pura arte. A edição do mês de abril trouxe uma resenha sobre o filme
Paixão de Cristo, por Olavo de Carvalho, em que uma página foi diagramada em formato de cruz. Isso sem mencionar figuras, páginas que parecem pinturas, enfim, a revista em si é uma obra de arte.
Mesmo sendo um periódico de assuntos culturais, algumas edições causaram forte impacto. Freitas lembra de principalmente duas: "Uma que contestava a importância da Semana da Arte Moderna de 1922 na cultura brasileira. A capa era uma foto de Oswald de Andrade com um tomate na cara. Outra, mais recente, foi a do Zeca Pagodinho. Essa pela surpresa que causou em alguns leitores que sempre acusaram a revista de ser 'elitista'".
Alguns dos editores, redatores, repórteres, e articulistas da Bravo! foram contratados e promovidos para cargos mais altos. Como o caso de Gisele Kato que passou do departamento de On-line da Editora D'Ávila, para editora-assistente da
Bravo! na Abril.
O que vem ocorrendo com a Editora Abril, é um fato bem curioso. Não só o remanejamento de funcionários, mas
também a sua tentativa de predomínio cultural em impressos. Mas a iniciativa da revista
Bravo! reflete uma nova tendência no desenvolvimento de impressos no Brasil. A informação comentada tem ascendido gradativamente no Brasil. O espaço mais acessível desse tipo de informação pelo público, sem dúvida, é por meio das revistas.
A percepção da Editora Abril neste segmento é bem interessante e talvez por isso se justifique o monopólio do mercado, que está quase nas mãos da editora. A sua parceria com a Editora D'Ávilla é mais uma destas ações. E isso se deve a qualidade
que a revista Bravo! demonstra ao público.
criação: lisandro staut |
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