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Alavanca da comunicação

Delton Unglaub

Mídia é sinônimo de megainvestimentos no mundo inteiro. No Brasil, a principal fonte de informação é a televisão. A relação entre mídia e público é extremamente condensada porque existem apenas duas grandes emissoras que praticamente dominam a audiência e as outras de médio e pequeno porte brigam por migalhas. Mas, nem sempre foi assim.

Em 1950 surgiu a televisão no Brasil. O empresário Paulo Machado de Carvalho, sócio da Rádio Excelsior e Jovem Pan, conseguiu em 22 de novembro do mesmo ano, uma concessão para um canal de televisão que só seria colocado no ar em 27 de setembro de 1953. A TV Tupi era a única emissora daquela época. Após uma década, a Record superou sua "grande" concorrente. 

Na história da música popular brasileira, esta emissora contribuiu muito para que a MPB evoluísse. Naqueles dias a TV Record estava equipada com o que havia de mais avançado. O jornal O Estado de S. Paulo publicou uma matéria de página inteira com o título: "Entra no ar em São Paulo uma das maiores tevês do mundo".

Início de sucesso

Logo no começo, a emissora se dedicou a programas musicais como Grandes Espetáculos União, que se tornou líder de audiência. Os shows tiveram grande repercussão por causa de apresentações de artistas internacionais. Investiu-se em astros internacionais até 1965, quando a música popular brasileira cresceu no País. 

Dentre os programas que se destacaram estavam o Show do Dia 7 e A Hora do Chacrinha, o qual foi o primeiro programa de calouros da tevê brasileira. Era apresentado por Abelardo Barbosa, que se tornou um dos maiores comunicadores do País. Além de shows, a TV Record investiu em telejornais.

O jornalismo também foi pioneiro na emissora. Em 1972, o jornalista Hélio Ansaldo se destacou porque, além de informar, debatia os temas em pauta com a participação de especialistas. O telejornal era o Tempo de Notícias que depois passou a se chamar Record em Notícias, e foi apresentado por Murillo Antunes Alves, até 1996.

Nova fase

O final dos anos 70 foi uma época difícil para a Record, pois enfrentou vários incêndios e a concorrência cresceu com a entrada de novas emissoras no ar. Grande parte do arquivo da emissora foi destruída em seis incêndios. Produções de 1953 a 1960 não foram registradas porque não existia videoteipe. Mesmo após os incêndios, não saiu do ar. Em 1972, a Record foi cortada, por causa de uma entrevista com uma hippie presa pela polícia. Segundo o então ministro das Comunicações, Alfredo Buzaid, estava sob efeitos do LSD e ofendeu os princípios morais do povo. 

O jornalismo ressurge com Dante Matiussi, que assume a direção do departamento e coloca no ar o Jornal da Record, comandado por Paulo Markun e Sílvia Poppovic, mais tarde, apresentado por Carlos Nascimento. Em 1991, a Record entra com uma nova programação, mantendo o jornalismo como carro-chefe. 

De 1991 a 1995 a Rede Record passou por grandes mudanças, voltando aos tempos áureos de sua inauguração. Em 1995, a emissora recebeu investimento pesado em equipamentos. Neste momento, ela passou a contar com os equipamentos mais sofisticados da televisão brasileira. 

Participação ativa na história

A grande participação da Rede Record durante a história da imprensa brasileira é imprescindível. No começo de sua história a TV Record estava equipada com o que havia de mais avançado, trazendo a tecnologia e investindo na imprensa brasileira. A primeira transmissão interestadual de um jogo de futebol foi um avanço para a época. 

A criatividade dos técnicos da ajudou com que a transmissão melhorasse, porque até esse dia o sinal de TV nunca ultrapassara um raio de sessenta quilômetros em torno das cidades que tinham estações. Para tanto, foram instaladas microondas de TV no topo de morros no Vale do Paraíba com telas de galinheiro.

Uma vez que filmar algo exigia um grande investimento por parte da emissora, registraram-se fatos históricos como a construção da Ponte Rio-Niterói e da Avenida Vinte e Três de Maio, o enterro do presidente Castello Branco, em 1967, e a reforma do Palácio dos Bandeirantes, no mesmo ano.

Hoje, a Rede Record conta com 63 emissoras, entre próprias e afiliadas e centenas de retransmissoras espalhadas pelo território nacional. Com certeza, sem a Record boa parte da história brasileira estaria em branco. Sua participação ativa no começo da história da comunicação alavancou e incentivou os investimentos no sistema, de tal forma que hoje possui um sistema de comunicação invejável por países de primeiro mundo. 

Fonte: Site oficial da Rede Record. Complementação feita pelas equipes do Canal 1 / Telecentro e parte biográfica do site da Rádio Jovem Pan

                                        



criação: lisandro staut