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Estouro na
Guerra do Golfo
Ana Paula Ramos
Cansados de
tanto falar em guerra, todos estamos. Mas na atual situação mundial, não podemos esquecer de um veículo que marcou história em tempo de guerra, a CNN, pioneira da cobertura ao vivo dos conflitos no Golfo Pérsico.
Há 13 anos, por meio da televisão, pôde ser assistida a primeira guerra
ao vivo. Na tela, cenas com tons esverdeados que só os militares conheciam, para visualizar o terreno no escuro. Os clarões que apareciam de vez em quando indicavam os bombardeios da coalizão formada para acabar com a invasão de Saddam Hussein ao Kuwait. Cenas da histórica Guerra do Golfo.
A Guerra do Golfo desenvolvia-se, em parte, na Mesopotâmia. Pensavam alguns que
o mundo começaria a acabar. A razão da guerra foi a invasão do Kuwait por tropas iraquianas, em 2 de agosto de 1990. As negociações de paz não tiveram efeito e uma força armada foi constituída pelos "aliados" para liberar o país e destruir as armas supostamente mantidas pelo Iraque. O conflito mobilizou 36 nações, comandadas pelos Estados Unidos, e consumiu
53 bilhões de dólares.
A aldeia global do fim do século acompanhou pela televisão as fantásticas cenas da Guerra do Golfo Pérsico, em 1991. Talvez sentado confortavelmente em suas poltronas, o mundo pode assistir, como numa tela de videogame, o movimento das tropas, bombardeios aéreos e explosões de mísseis.
Cobertura impressionante
A Guerra do Golfo foi uma das mais importantes coberturas da CNN. O famoso efeito "fliperama" , foi criado com a ajuda de câmeras que o Pentágono instalou em seus caça-mísseis. As imagens, mesmo questionáveis, projetaram o canal mundialmente.
Mesmo com toda a fama alcançada, a primeira vítima da guerra foi a própria imprensa, que submetida a uma radical censura, de ambos os lados, foi manipulada pelos governos. Duas semanas
depois do início da guerra, ninguém sabia exatamente o que estava acontecendo, quantos mortos havia, como estava a invasão e
a perda de equipamentos.
A videoguerra, foi fruto das operações cirúrgicas de vídeo. Quando mostrada na televisão, parecia se tratar de uma guerra
limpa - os mortos praticamente não existiam e muito menos eram mostrados. A videoguerra acabou por insensibilizar as pessoas, transformando
o combate em um jogo eletrônico onde todos os alvos eram transformados em pontos luminosos de computadores.
Os jornalistas e enviados especiais só tinham permissão para fazer a cobertura em sistema de "pool" (grupos previamente selecionados) completamente submetidos aos militares. Apesar do "pool", os americanos e os ingleses mantinham o monopólio das informações. Os jornalistas americanos se transformaram em agentes a serviço dos militares, denunciando, inclusive, qualquer tentativa de outros correspondentes furarem o controle de informação. A esta altura, a CNN já dominava a mídia mesmo com suas imagens censuradas e praticamente indecifráveis.
Para sigilo militar, a mídia foi impedida de veicular notícias sobre os mísseis, evitando qualquer possível descoberta por parte de Saddam. Para evitar o desastre do Vietnã, os Estados Unidos estabeleceram a censura prévia para qualquer informação sobre o Golfo. Bush chegou ao extremo de proibir até as imagens dos corpos dos soldados americanos nos Estados Unidos, evitando a comoção nacional.
A presença da CNN, com todos os empecilhos existente durante a guerra, fez com que o veículo se tornasse o maior poder do mundo jornalístico. Hoje a CNN possui uma rede de mais de 850 afiliadas locais ao redor do mundo. No total, a CNN dos Estados Unidos e a CNN
Internacional são vistas em 240 milhões de lares. Sua audiência média nos Estados Unidos, no entanto, é de 319 mil domicílios. Atualmente emprega mais de 3,9 mil profissionais da área de jornalismo em todo o mundo, em 42 escritórios.
A CNN ainda tem outra guerra para vencer, depois de quebrado seu monopólio com o surgimento dos mega veículos de comunicação, onde durante uma década e meia, a rede era a única a exibir notícias 24 horas por dia. Hoje, tem pelo menos cinco rivais nos EUA
- a principal delas é a Fox News.

criação: lisandro staut |
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