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O show da guerra: Quem viver, verá!
Juliana Trivellato
O presidente da CNN Internacional, Chris Cramer, em uma convenção em Amsterdã, afirmou que "a próxima guerra será ferozmente disputada entre o poder das tevês e a rapidez dos sites de notícias da internet".
A Guerra do Iraque contará com uma tecnologia poderosa, que inclui desde pequenos computadores ligados a câmeras digitais que transmitem sons e imagens via internet, até jornalistas altamente qualificados, tanto em termos técnicos, como em capacidade profissional. Cramer comenta ainda que "os jornalistas devem ter as qualificações para combinar ou escolher recursos técnicos e linguagens a serem utilizadas em cada matéria".
Optar pelas novas tecnologias e pelas pequenas equipes não deixa de ser uma resposta criativa das próprias redes de TV às restrições financeiras para a cobertura de guerras. Em meio à crise econômica, esta é uma boa oportunidade para reestruturar as programações do meio conservador e pouco criativo do telejornalismo.
A divulgação das informações online tem sido mais adotada devido ao seu baixo custo. Pequenos sites têm conseguido transmitir notícias com tanta rapidez que estão afetando radicalmente a forma com que as grandes redes de TV apuram suas matérias. "A corrida para ser o primeiro num cenário de notícias durante 24 horas tem representado um alto custo em termos de precisão, com um aumento na especulação de informações", alerta Cramer.
Olhos e ouvidos
Os jornalistas são os olhos e ouvidos dos espectadores nos conflitos de guerra. A elaboração e transmissão de matérias não precisas muitas vezes criam choque de informações entre os meios de comunicação.
Roberto Cabrini, jornalista e correspondente internacional de guerra da Rede Globo por sete anos, já fez coberturas de conflitos bélicos na Palestina, Iraque, entre outros países. Em entrevista concedida à Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, ele afirmou que "a cobertura ao vivo é sempre um desafio; há sempre risco o de dar uma informação incompleta".
Segundo Cabrini, os jornalistas muitas vezes colocam a emoção frente ao compromisso jornalístico e, com o tempo, notam que precisam ser mais críticos e profissionais ao transmitir informações que somente eles estão presenciando. Ao assistir um telejornal ou buscar informações pela Internet, o público espera que o jornalista não o prive de receber a informação completa. "Se hoje você censura por ser uma imagem forte, amanhã você censura por motivos políticos ou mercadológicos", critica Cabrini.
Padrão previsível
Em entrevista ao jornal Valor Econômico (18/10/01), o jornalista Phillip Knightley contou que a cobertura das guerras segue sempre o mesmo padrão deprimentemente previsível. "O primeiro estágio é aquele em que a mídia relata a impossibilidade das resoluções das negociações", diz ele.
Knightley apela aos donos de canais de TV e páginas da internet que alertem seus espectadores a analisarem as informações com ceticismo e cuidado. "A história de que os soldados de Saddam Hussein estavam matando bebês no Kuwait, publicada na imprensa ocidental, foi inventada sob inspiração da máquina de propaganda britânica usada contra os alemães ainda na Primeira Guerra", lembra Knightley, como exemplo de informação não precisa para benefício próprio.
A cobertura diária e permanente dos acontecimentos que se viviam no teatro de operações, levada a cabo pela estação de Atlanta, farão com que o mundo assista a guerra da poltrona de suas casas. O surgimento da internet permitiu a profusão de grupos de comunicação independentes seduzidos pela não necessidade de se dispor de uma vasta estrutura física e logística de suporte para se conseguir estar no meio do palco de operações e difundir a informação. O repórter precisa apenas de um computador portátil ligado a um modem, ou um telefone satélite para enviar o seu trabalho ao mundo.
Pela facilidade que o avanço da tecnologia trouxe à transmissão da informação, seja televisionada ou via internet, a "guerra" pela divulgação de melhores imagens e notícias será presenciada pelo mundo. Para conquistar o público ansioso por notícias sobre o andamento do próximo conflito bélico, vale toda a criatividade e versatilidade dos jornalistas e veículos. A esse show de informações, ironiza Cramer, "quem viver, verá!".

criação: lisandro staut |
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