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De mãos dadas com a tecnologia

Sergio Telles

Com a TV Tupi, inaugurada em 1950, o sistema televisivo se infiltrou no Brasil. Desde os primeiros receptores de televisão, da marca Invictus, a tecnologia da TV só cresceu. Vale lembrar dos anos 60, época da "supertecnologia" de rolos de filmes e equipamentos que necessitavam de muita força -humana/hidráulica- para o transporte.

Com a chegada do VT (videoteipe), ainda na década de 60, tecnologia de ponta na época, a televisão conquista a praticidade. Outro marco na história brasileira em relação ao telejornalismo (indiretamente) foi a inauguração da Rede Nacional de Microondas, sistema de transmissão por satélites em 1968 (Telstar) e a primeira transmissão em cores. A década de 70 presenciou a chegada de novas tecnologias, como câmeras portáteis e editores eletrônicos, enquanto os anos 80 viram os recursos multimídia tomarem conta dos estúdios.

O telejornalismo de hoje utiliza uma tecnologia ainda mais avançada. Um exemplo claro da tecnologia empregada em favor da notícia é a cobertura de um evento em qualquer parte do mundo. Durante a Guerra do Iraque, o telespectador podia assistir ao vivo o que estava acontecendo e com qualidade digital.

A Rede Globo, com um correspondente no Kuwait, transmitia links ao vivo a todo momento, com o auxílio de um videofone. Não possui a mesma qualidade de uma câmera comum, mas o recurso é teoricamente mais barato e exclusivo. O repórter pode entrar a qualquer momento ao vivo e relatar os últimos acontecimentos.

Um videofone dá ao repórter uma liberdade de horário - dentro da programação da emissora - pois se fosse depender de prestadores de serviço, teria que marcar um horário, pagar uma verdadeira fortuna pela transmissão.

Nas décadas de 50 e 60, a transmissão de uma guerra ao vivo seria impossível. Os rolos de filmes, os gigantescos aparelhos de captação e recepção não permitiam tal agilidade à notícia. A internet também é uma tecnologia muito utilizada no telejornalismo, pois com ela pode-se checar dados com maior rapidez, a comunicação fica independente de disponibilidade de ambos os lados - no caso do e-mail.

Outro exemplo que está ao nosso lado e não nos damos conta, são os motolinks, motos equipadas com tecnologia capaz de entrar ao vivo de qualquer parte da cidade e trazer a informação em cima da hora.

TV Digital

É bem verdade que algumas tecnologias ainda não proporcionam a qualidade necessária, como é o caso do videofone. Em compensação, com a HDTV (abreviatura em inglês para High Definition TV, ou TV de Alta Definição), tela de cristal líquido com seu dobro de linhas de definição, a nitidez chega a ser espantosa. Podemos fazer uma comparação desta tecnologia com a da TV quando passou de preto e branco para colorida, um belo salto tecnológico.

Para a implantação desta nova tecnologia, houve uma reunião do Subgrupo de Medidas e Testes, que ocorreu na sede da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), em São Paulo, em outubro de 1998, para definição das atividades, da metodologia de trabalho e da forma de ação. Diversas emissoras participaram deste evento, tais como Bandeirantes, CNT, Cultura, EPTV, Globo, RBS, Record, Rede Mulher, Rede Vida! e SBT.

Para o ex-senador americano Albert Gore, "a HDTV se transformou numa linha de divisão política, onde as concepções opostas do governo se cruzam". Há aqueles que acreditam que o governo deve estabelecer planos e levantar fundos públicos para apoiar a HDTV. Do outro lado, estão os que defendem que tais planos seriam inevitavelmente imperfeitos, e que o suporte governamental seria mais efetivo se criasse condições necessárias para que as próprias forças competitivas do mercado viabilizassem a HDTV. 

"A TV digital é um passo inevitável para todas as televisões brasileiras. Não se pode imaginar a competição em igualdade de condições da televisão aberta com a TV paga ou por assinatura, os computadores, a Internet, o DVD etc., sem a atualização tecnológica da transmissão terrestre digital", afirma Miguel Cipolla Jr., superintendente de engenharia da Rede Bandeirantes.

Dentro da tecnologia HDTV, pode-se ter vários serviços num mesmo canal. Como por exemplo, assistir um filme na hora que desejar, ver uma determinada propaganda na hora desejada, assistir a notícias do mundo todo sem ter que esperar pelos horários programados, ter acesso a diversas informações disponíveis pelos fabricantes e ou anunciantes.

Estas tecnologias são úteis para o telejornalismo. Mas para a TV aberta, o que mudaria? Provavelmente as emissoras de TV utilizarão estas tecnologias para dar maior veracidade a suas informações, maior qualidade nas coberturas, mas sempre limitada ao formato de distribuição gratuita TV aberta.

Com a entrada destas tecnologias ou multimídia, o homem deixará de ser um mero expectador de um telejornal e passará a fazer sua própria grade de notícias? Talvez. Hoje, porém, o que era ficção nos filmes, já pode ser considerado como realidade - por mais que uma pequena parte da população tenha acesso a tal tecnologia.

                                        



criação: lisandro staut