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Espetáculo
na TV
Katianne Jouguet
As notícias aumentaram; respectivamente, o número de telejornais. A busca incessante por audiência tornou superficial o jornalismo televisionado. Relatar fatos era importante; investigar mostrava-se essencial. Havia a necessidade de resgatar a função social dos
mass media. A televisão, então, passou a investir no jornalismo investigativo. No final da década de 90, entraram no ar programas deste cunho. O que se discute hoje, é a finalidade destes.
Em 1999, a Rede Globo de televisão estreou o programa Linha Direta, inicialmente apresentado por Marcelo Rezende.
Linha Direta nasceu de uma reportagem exibida no Fantástico. Tratava-se de uma entrevista com o
motoboy Francisco de Assis Pereira, o maníaco do parque. O repórter Marcelo Rezende levantou polêmica e também o Ibope. A reportagem alcançou 53 pontos de audiência. A Globo não exitou, e resolveu investir no jornalismo policial.
Todas as quintas-feiras, o programa global ocupa o seu espaço. Atualmente apresentado por Domingos Meirelles, o
Linha Direta aborda dois casos criminais em cada edição. O estilo permanece o mesmo. Os fatos são narrados e dramatizados. As simulações propositadamente sensibilizam o público e as autoridades. O programa esmiúça crimes, auxiliando na denúncia de foragidos.
Mas nem tudo é perfeito. O Linha Direta extrapolou na sua conduta. Perdeu o estilo investigativo. Apelou para o sensacionalismo. Toda semana, casos relatados se apresentam como shows de dramaturgia. Uma maior atenção é dirigida a assuntos menos expressivos, com ínfima função social.
Parentes de vítimas perdem a privacidade se tornando fantoches de manipulação. Afinal, tudo pela audiência. Não é exagero, é
"Linha Vermelha" mesmo. As imagens que reconstituem os crimes, não privam o telespectador das cenas fortes que incitam o medo. Tudo parece real, e nada vale mais que a emoção. Portanto, o
Linha Direta deixa a desejar no verdadeiro foco da notícia.
Infelizmente, a superficialidade jornalística não está centrada a apenas um programa. Várias emissoras sustentam seu apogeu barbarizando as notícias. Primeiro, o lucro pela audiência; por último o pudor ao cidadão.
A prioridade dos meios de comunicação não é mais informar ou denunciar as más condutas dos órgãos públicos. A veracidade dos fatos pode ser comparada a um diamante - difícil de encontrar, embora inconfundível.

criação: lisandro staut |
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