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Jornalismo aprofundado
Alex Gonsalves
Sempre que se fala em jornalismo investigativo, a tendência é pensar em reportagens policiais. Isso, contudo, limita a abrangência da área. Toda reportagem originalmente aprofundada sobre um tema ou caso é resultado de jornalismo investigativo.
Na televisão brasileira há programas que são tipicamente apresentações de reportagens resultantes de jornalismo investigativo. É o caso do pioneiro
Globo Repórter, que veio ao ar em 1973 e seus seguidores SBT Repórter,
Repórter Record e outros que vem e vão. Estes programas foram criados para suprir uma carência do público de se aprofundar no conhecimento de assuntos polêmicos ou de interesse geral.
Problemas sociais são abordados, como no Globo Repórter apresentado em 30/3/01, que enfocou o tema de assédio sexual no Brasil. O programa trouxe diversos casos, como a história de Luiz, um homem que foi assediado e denunciou o crime.
Na mesma edição, o Globo Repórter também apresentou movimentos que lutam contra o problema, como o sindicato dos bancários que desenvolveu uma cartilha, distribuída em diversas agências espalhadas pelo País. Dados estatísticos dão sustentação, como o fato de Brasília ser considerada a capital brasileira do assédio sexual.
Reportagens sobre a natureza em determinadas localizações geográficas também são temas constantes destes
programas, como a África do Sul, abordada no
SBT Repórter de 2/1/03. A matéria é do repórter Christian Colt, que passou semanas nessa terra convivendo com os nativos e explorando a floresta da região. Da mesma forma, abordou-se também a cultura e hábitos de vida das pessoas de diversas partes do mundo.
Parceria com o exterior
Parcerias são feitas entre as emissoras de TV estrangeiras e as brasileiras para apresentar programas que são produzidos no exterior, mas que têm relevância para serem exibidos no Brasil, como a reportagem sobre o comércio de crianças na África.
Em parceria com a BBC de Londres, o Repórter Record mostrou como pais criam seus filhos para trocá-los por dinheiro. As crianças saem de países miseráveis, como Togo, Mali e Benin, e são vendidas em países considerados mais ricos, como o Gabão. Lá, elas trabalham até 15 horas por dia e tudo que recebem são castigos corporais e comida suficiente apenas para evitar que elas morram.
Na área de impressos, um jornalista investigativo de destaque no Brasil que tem abordado temas em torno da infância e educação é Gilberto Dimenstein. Ele agrupou uma série de reportagens sobre a rota do tráfico de garotas para prostituição na Amazônia, publicou o livro
Meninas da Noite. Escreveu também Guerra de Meninos, sobre o assassinato de crianças por grupos de extermínio no Brasil.
Dimenstein recebeu doze prêmios de jornalismo, entre eles dois Esso e dois Líbero Badaró. Atualmente, está à frente do Projeto
Aprendiz, organização não-governamental voltada para a pesquisa e desenvolvimento do ensino.
Essas menções ajudam a compreender o que implica ser um jornalista que trabalha com investigação. Tem que haver comprometimento, dedicação. É preciso descobrir o que não se nota no cotidiano, ao menos não de maneira tão explícita. O jornalismo investigativo se diferencia das outras áreas do jornalismo por exigir uma atenção maior, requerendo mais tempo para aprofundamento necessário.
Não há limites para este tipo de trabalho, nem mesmo com relação aos temas. Qualquer assunto em qualquer área do conhecimento tem chances em potencial de se tornar tema de uma reportagem investigativa, desde que tenha pertinência aos interesses do público.

criação: lisandro staut |
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