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Jornalismo de campo e investigação

Adriano Luz

Em setembro deste ano, o rádio completa 81 anos no Brasil. Grandes histórias marcaram época no veículo, como a de César Ladeira, que teve sua importância marcada pela transmissão feita em 1932, durante a Revolução Constitucionalista.

Durante a ditadura dos anos 60-80, o veículo sofreu com a extinção dos aparelhos que operavam em ondas curtas. Estes permitam que população entrasse em contato com rádios como a BBC de Londres e, conseqüentemente, ouvisse fatos que os militares tentavam dissimular.

Um dos grandes filões do rádio é o jornalismo investigativo, que também tem a sua parcela na construção da história do veículo no Brasil. Esse segmento, que se desdobra por todos os meios de comunicação, tem uma tradição muito forte no Brasil. Em dezembro do ano passado, por exemplo, ocorreu um seminário internacional sobre jornalismo investigativo em São Paulo, promovido pelo Centro Knight de Jornalismo nas Américas da Universidade do Texas, em colaboração com a Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo e a Faculdade Cásper Líbero.

Saulo Gomes: destaque no jornalismo investigativo radiofônico Muitos jornalistas se destacaram nesta arte do jornalismo, entre eles Saulo Gomes. É considerado o mais experiente repórter ativo no chamado "jornalismo de campo e investigação" (veja foto). Foi o primeiro jornalista caçado pelo Golpe de 1964. Atualmente tem 74 anos, dos quais 46 foram dedicados para o rádio e a TV.

O jornalismo investigativo no rádio distinguiu-se por divulgar informações sobre más condutas que afetam o interesse público. Esse trabalho é fruto não só de um repórter, mas sim de uma equipe especializada neste tipo de reportagem que é uma das mais trabalhosas e perigosas de serem feitas.

O acesso às informações públicas fornece material essencial para o desenvolvimento da investigação. Isso nos leva a questão da ética jornalística. Até onde pode um jornalista investigar sem estar ultrapassando a tênue barreira entre o certo e o errado? Afinal, quando o repórter utiliza meios ilícitos de investigação, entra no mesmo erro do qual o levou a investigação. O ideal é descobrir o errado da maneira certa.

Temos que ver também quem se beneficiará com essas informações? Se isso for de legítimo interesse público deve-se então levar a fundo, caso contrário tal investigação pode levar a interesses particulares principalmente de cunho político.

O jornalista investigativo radiofônico contribui muito para o andamento da democracia, pois deixa claro para a nação votante quem é quem na vida pública. Funciona não só como instrumento de denúncia, mas também como instrumento de inibição dessa prática corrupta que insiste em se institucionalizar no País. Quando mais dermos "ouvidos" às rádios que se especializam nesse setor, mais estaremos informados de a quantas vai o nosso Brasil.

                    



criação: lisandro staut