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Marcas de Cristo

Katianne Jouguet

Com a proximidade da Páscoa, a mídia coloca a história de Jesus no foco dos veículos de comunicação. O Fantástico, revista eletrônica da Rede Globo, pode ser mencionado como um dos programas que mais exploram o tema da Paixão de Cristo. A história de Jesus se torna alvo de críticas e especulações.

Por meio de dados históricos e achados arqueológicos e, com a inserção de comentários de pessoas conceituadas, o programa procura desvendar os mistérios da vida e da crucifixão de Jesus em suas reportagens. No entanto, estas sutilmente contestam a veracidade bíblica.

Em 1995, Pedro Bial fez a matéria "Uma nova história de Jesus" para o Fantástico, expondo teses de Jacques Duquenes, historiador francês. Duquenes afirmava que, Jesus nasceu há mais de dois mil anos, e que ao invés de um estábulo, nasceu em sua casa. Não recebeu visita de reis magos, nem foi perseguido por Herodes - não existindo referência histórica quanto ao massacre dos bebês.

Jacques estabeleceu seus conceitos ao analisar a Bíblia com interpretações de cunho pessoal. Em seu livro, ele questiona a ressurreição de Cristo. Diz o relato bíblico que foram as mulheres que viram Jesus ressuscitado; porém, naquela época, a palavra de uma mulher não tinha credibilidade. E para completar, não há registro histórico que comprove este fato.

Várias matérias a respeito da Páscoa já foram exibidas no Fantástico. Outra, que também causou impacto, foi feita pelo jornalista Hermano Henning, hoje no comando do SBT Repórter. Em sua reportagem, percebe-se a ironia usada ao interpretar a morte de Jesus. Ele levanta algumas questões: Até que ponto é possível confiar na história da Paixão de Cristo? Quem era Jesus? Um profeta ou revolucionário? Filho de Deus ou líder religioso?

Obviamente, nem todas as histórias bíblicas podem ser comprovadas cientificamente. Tampouco os dados históricos são suficientes para banalizar Jesus, se tornando motivo de polêmica há vários séculos. A busca por provas materiais da existência de Cristo não apresentou muitos resultados até a atualidade. Não entram num consenso nem mesmo para definir a aparência de Jesus.

Rosto de Jesus divulgado pelo Fantástico: árabe e não anglo-saxão Na mídia e nos quadros de Leonardo Da Vinci, Jesus foi apresentado como loiro de olhos azuis. Mas um estudo patrocinado pela rede britânica BBC e divulgado no Brasil pelo Fantástico mostrou um resultado diferente. O formato da cabeça foi baseado num crânio do primeiro século e os traços do rosto seriam de um judeu palestino daquela época. Seria esta a face de Cristo?

Nos manuscritos do Mar Morto, uma grande descoberta arqueológica, não há nenhuma referência a Cristo. O Santo Sudário ainda é a relíquia mais investigada na história humana. Seriam estas as marcas do corpo de Cristo?

O Fantástico, em suas reportagens sobre o assunto, costuma enfatizar o lado obscuro e misterioso da Páscoa e de seu protagonista. Não há um aprofundamento na história bíblica e o que se sabia sobre Jesus não será mudado. Evidências concretas relatam que Ele existiu, mas não comprovam quem realmente foi. O mistério continua somente para alguns que se apegam em provas, pois o que está escrito na Bíblia é suficiente para os cristãos.

                   



criação: lisandro staut