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Um astro chamado Jesus
Fabiana Amaral
Ai, ai, falar de Cristo em Hollywood... Vamos começar um longa-metragem com várias cenas já vistas pelo público. Na verdade, podemos nos
realizar com um curta-metragem mesmo. O fato é que ao falar de Jesus, seja qual for o ângulo abordado, incorre-se no risco de mais absoluta redundância. Isto porque, se tratando de mídia, todos cometem - em maior ou menor
proporção - os mesmos pecados.
Mas ao abordar o papel do cinema relacionado com Jesus, ficamos com os de maior proporção. Lógico! Com um poder de fogo incontestável e visível rapidez em influenciar e moldar seus conceitos nos receptores, o cinema tem nas mãos - pouco experimentadas em assuntos corretamente religiosos - a possibilidade de ajudar muito. Mas infelizmente o extremo oposto também é verdadeiro. Verdadeiro e usual.
Embora algumas das intenções sejam boas (raras), a maioria delas não gosta de mostrar Jesus da maneira como os cristãos O vêem, ou o mais próximo possível disto. Temos aí alguns exemplos como o filme
Jesus (2000), que se transformou em minissérie global. Embora os produtores tenham afirmado - depois de milhares de bombardeios - que a intenção era reconstituir um Cristo o mais próximo do real, o que conseguiram foi esmaecer a imagem de Cristo e reforçar a idéia de alguém falho em várias atitudes. Logo, inapto a salvar a humanidade caída.
Jesus, perto de A Última Tentação de Cristo (1988), chega a ser
light e teologicamente recomendável. Este último traz à tona alguém injuriado com a obrigação de ser santo e ter que salvar os homens, sem falar de sua inclinação insustentável para a sexualidade. Pura heresia.
Nesta galeria podemos incluir muitos outros, como O Corpo (2001), que tenta insinuar a possibilidade de Cristo não ter ressuscitado, fato que O invalidaria como Deus e redentor do mundo. Como é de praxe na indústria hollywoodiana, o filme deixa no ar a suspeita, quando o tal padre, que encontra a arqueóloga para verificar a veracidade de seus achados, deixa que sejam consumidos pelo fogo supostos restos mortais de Jesus, escavados por ela.
Tem também aquela galera que não se contentando em minimizar o cristianismo ainda querem blasfemar de Deus. É engraçado como no afã de modernizar e liberar tudo, esquecem do respeito à fé alheia. Em
outras produções, como Stigmata (1999), não se vê outra coisa além de xingamentos e blasfêmias mil à instituição cristã.
Muitos outros exemplos poderiam ser citados nessa categoria, que é a principal, mas não vale a pena. Tantos erros ocorrem, devido à fascinação do homem pelo desconhecido.
Ele tenta desesperadamente explicar, em sua limitação, coisas que não compreende para outra porção de gente que entende menos ainda, mas tem dinheiro para consumir sua pseudo-arte.
É um risco tremendo essa história de tentar retratar Jesus e dar ares mais "atuais" à sua imagem e hábitos. É como se quisessem explicar o que não está escrito na Bíblia e que efetivamente não tem importância alguma.
Mas para Hollywood isso, claro, é lucrativo. Os cineastas sabem da tendência humana ao voyeurismo e a ávida necessidade de ídolos. Para tanto, nada mais prático que alguém já famoso para vender nas telas. Nada mais simples que produzir um astro
à la Hollywood.
Luzes, câmeras, Jesus em cena, gravando!

criação: lisandro staut |
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