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Algemas soltas
Lísye Rizziolli
Quando se fala em liberdade de imprensa o que nos vem à mente? Um grupo de jornalistas indispostos a mudarem seus paradigmas? Ou fatos noticiados sem serem algemados?
Há mais de 17 anos, a organização não-governamental Repórteres sem Fronteiras (RSF) mostra tudo o que acontece sem medo de ser desmascarada. Mas será que estes são os meios certos de mostrar o lado "podre", colocando em risco a vida de muitos jornalistas?
Ao ver que a imprensa bandeava em fazer o que políticos corruptos queriam, um grupo de jornalistas se mostrou extremamente interessado colocando em pauta a verdade e o que estaria por trás de toda sujeira. Matar ou prender um jornalista significa "calar a verdade e amenizar os direitos de toda a informação", dizem os RSF.
Atualmente, mais de 120 jornalistas se encontram presos em todo mundo. "Simplesmente por terem cumprido com suas obrigações", explicam os Repórteres sem Fronteiras.
Algumas das metas da liberdade de imprensa dos RSF são "defender os jornalistas, colaboradores e profissionais dos meios de comunicação, presos e perseguidos por suas atividades profissionais. A ONG também luta para amenizar, retroceder a censura e combater as leis que têm a intenção de restringir a liberdade da imprensa; alertar a rede com mais de cem correspondentes", segundo RSF.
Os Repórteres Sem Fronteiras denunciam a violação de liberdade de imprensa no mundo, informando os meios de comunicação à opinião pública, mediante a comunicados de imprensa e campanhas de sensibilização.
A entidade é reconhecida como utilidade pública. "Quando mais de um terço da população mundial vive em países que não existe nenhuma liberdade de imprensa, eles atuam diariamente para que a informação recupere seus direitos."
Alcance global
Sendo uma organização internacional, os Repórteres sem Fronteiras estendem-se por cinco continentes. Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, França, Grã-Bretanha, Itália, Suécia e Suíça são alguns dos países com maior atuação.
No dia 13 de maio de cada ano, os RSF celebram o Dia Mundial da Liberdade da Imprensa focando um informe completo sobre a situação de mais de 150 países. É mantido por meio de doação e colaborações de algumas instituições. Mas nem tudo parece andar bem.
No dia 27 de julho, 28 países, incluindo o Brasil, votaram na última hora pela suspensão de um ano dos Repórteres sem Fronteiras da Comissão de Direitos Humanos da ONU. Tudo isso decorrente de um protesto organizado pela entidade, em março ainda deste ano, contra a decisão de permitir a Líbia uma cadeira da comissão da ONU.
O porquê do voto do Brasil é um mistério tanto quanto "a velha repassada política do coronelismo", segundo o jornalista Cláudio Júlio Tognolli. A Organização dos Estados Americanos (OEA) tem também 97 petições que correm atrás do Brasil, que são respectivamente casos de investigações sobre homicídios, corrupção, clientelismo e violação de direitos humanos, em sua maioria aumentadas e mostradas pela imprensa.
Nos últimos acontecimentos, os RSF vêm caracterizando o cerceamento da liberdade em Cuba e na Líbia. Em contrapartida, defende-se a abstenção do tal meio, por interesses políticos. Ou até queremos ser cópia do grande centro político-econômico, os Estados Unidos, por isso concordamos com tudo, estando certo ou errado.
Parece que as fronteiras estão ficando cada vez mais difíceis de se atravessar para os meios que querem a liberdade da imprensa.

criação: lisandro staut |
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