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Saída
para a qualidade
Leandro Oliveira
Nos últimos anos, a qualidade na prestação de serviços tem sido tema de intensos debates e motivação para muitas mudanças. O rádio, conhecido como o primo pobre dos outros veículos de comunicação, pouco se despertou para este importante tema. No entanto, os ouvintes de rádio procuram dia após dia uma programação mais próxima da sua realidade, integrada com suas características e gostos, que busque educar, instruir e informar a sociedade.
A presença eficaz de um ombudsman nas emissoras de rádio ajudaria a moldar uma programação com respeito e ética e que valorize o ouvinte. Emissoras como Bandeirantes AM, de São Paulo, e O Povo, do Ceará, são modelos na busca destes objetivos de qualidade na prestação de serviço. Tanto a primeira quanto a segunda adotaram o
ombudsman para dar voz aos ouvintes e realizar uma análise crítica da performance da programação levada ao ar.
A Bandeirantes AM de São Paulo fez do ombudsman um diferencial em sua programação perante as outras concorrentes. Lemos sempre que o bom serviço mantém e atrai novos clientes. Não foi diferente com a Bandeirantes com o atendimento do
ombudsman que diariamente participa do programa "Manhã Bandeirantes". Nesse horário, a audiência fica acima das suas concorrentes diretas, entre elas, CBN, Globo, Eldorado e Jovem Pan.
A participação do ombudsman na Rádio O Povo, opinando sobre a programação da emissora de rádio, valorizou o ouvinte. Este tem espaço para opinar e até reclamar de programas que fujam das funções estabelecidas pelo ato de sua criação e constituição.
Problemas
Em sua maioria, as quase três mil estações de radiodifusão no Brasil são concessões dominantemente dadas a políticos, o que se torna à primeira barreira para a contratação de um
ombudsman. Sua função de supervisionar o conteúdo e a linha editorial do veículo pode se tornar um desserviço, se eventualmente os interesses políticos cresceram mais do que os sociais.
Com sua autonomia, o ombudsman pode fazer críticas e se relacionar com o público em nome da empresa. Isso representaria um grande avanço para o rádio, mas poderia causar má repercussão para o proprietário da emissora.
A presença do ombudsman nas emissoras de rádio brasileiras poderia ser o agente de mudança em muitas distorções hoje cometidas. Mas certo mesmo é que a prática desta função vai demorar um pouco para atingir números expressivos. Ao oposto temos uma população que quer um veículo que o valorize e apresente programas de qualidade, que simplesmente os faça refletir e pensar.

criação: lisandro staut |
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