Esp


editorial | debate | imprensa | mídia
 cultura | perfil | nostalgia | opinião
  cotidiano | | leitor | e-mail | expediente
anteriores
| próximas edições
| inicial

Não há negócio sem entretenimento

Delton Unglaub

Glória Maria e Pedro Bial: ainda sem estúdio virtual Por que a mescla de atrações, tão dessemelhantes, é um dos segredos da grande audiência do jornal Hoje e do Fantástico? Estes programas mudam de acordo com as circunstâncias e sempre foram misturas de verdade e fantasia, jornalismo e entretenimento.

Em 1973, o Fantástico nasceu como uma revista eletrônica semanal. Como uma revista, tinha de tudo, desde shows musicais, quadros de humor, assuntos internacionais, etc. No início, sob a direção-geral de Augusto César Vanucci, possuía uma linguagem experimental; hoje mistura denúncia, notícia, esporte, música, assuntos leves, seriedade e humor. Prova disso, são os quadros "Retrato Falado", "Papo Irado", "Me leva Brasil", entre muitos outros.

Cid Moreira apresentou o Fantástico desde o primeiro domingo. Em 1977, sob a direção de José Itamar de Freitas, a revista começou a apostar no jornalismo. Mesmo abordando assuntos mais leves que os telejornais - humor, drama, sexo, misticismo, guerra e ciência, mais o noticiário da semana - este modelo somente seria "fantástico" se estivesse baseado nos fatos.

A revista eletrônica passou a ser apresentada ao vivo por William Bonner, Sérgio Chapelin e Valéria Monteiro em setembro de 88. Neste ano, o programa abandonou um pouco seu lado revista para ser um jornal mais voltado às novidades. A cobertura jornalística cresceu com equipes de reportagem em várias regiões do País e do mundo.

O Fantástico ficou mais dinâmico a partir do aniversário de 30 anos da Rede Globo. A nova direção inovou quando Sandra Annemberg, Fátima Bernardes e Celso Freitas e passaram a apresentar as matérias caminhando em um cenário diferente, um cenário virtual.

Revista diária

Assim como o Fantástico, o jornal Hoje nasceu como uma revista. A diferença é que era diária, mas a cobertura era basicamente a mesma: eventos artísticos, show e entrevistas com estrelas de TV. Atualmente, ele é um dos mais antigos telejornais da Rede Globo. Entrou no ar pela primeira vez em 21 de abril de 1971.

Léo Batista e Luís Jatobá foram os primeiros apresentadores do jornal. Em junho de 1974, o Hoje passou a ser exibido em todo o território nacional. Seu conteúdo incluía a sessão de moda de Cristina Franco, as previsões dos astrólogos para o dia, receitas culinárias e, no meio de tudo isso, notícias do País e do mundo.

O Hoje ganhou um cenário diferente com traços avançados em 1981. Matérias de turismo mostraram ao telespectador lugares pouco conhecidos. Pessoas famosas no País foram entrevistadas na coluna "Gente" e Pedro Bial, naquela época já um entertainer, deixou os estúdios para entrevistar os convidados nas ruas.

Em 1991, o telejornal, apresentado por Valéria Monteiro e Márcia Peltier, sofreu mudanças em seus cenários e em seu formato. Edson Ribeiro, editor-chefe na época, implantou o novo formato com mais notícias da atualidade. Outra modificação foi a criação de um bloco de cultura, com Maurício Kubrusly divulgando os lançamentos de cinema e shows. Beth Lima, correspondente em Londres, fazia entrevistas com personalidades de diversos países - leia-se astros.

Do patrão à empregada

Misturar jornalismo e entretenimento de maneira eficaz e acessível é "fantástico". Sendo assim, por que não fazê-lo? Jornalismo e entretenimento podem ser uma coisa só, pois "não há negócio sem entretenimento" como o escritor Michael Wolf, afirma no livro Entertainment Economy (sem tradução no Brasil). Empresas como a Globo ou o SBT ganharão muito mais dinheiro quando se voltarem mais ao entretenimento. Na opinião de Wolf, são visíveis as consolidações de empresas de jornalismo e de entretenimento.

Quando o Hoje e o Fantástico vão ao ar - na hora do almoço e no domingo à noite -, o telespectador vive momentos de descontração. O objetivo de criar quadros e séries - de acordo com os temas abordados, contar histórias que mobilizem a curiosidade. A alta audiência de ambos demonstra a satisfação dos espectadores.

Segundo Geneton Moraes Neto, editor-chefe do Fantástico, em declaração à Folha Ilustrada (1.º/12/02), o desafio maior destes jornais de entretenimento é prender a atenção de todas as faixas de público durante todo o programa. Por que a mescla de atrações, tão dessemelhantes, é um dos segredos da grande audiência do Hoje e do Fantástico? Porque o público-alvo vai da empregada ao patrão.

                   



criação: lisandro staut