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Máscara jornalística
Katianne Jouguet
Na mídia eletrônica televisionada, ainda sobrevivem alguns programas de entrevistas ou
talk-shows. Programa do Jô (Globo), Passando a Limpo (Record),
De Frente com Gabi (SBT) e Canal Livre (Band), são programas deste gênero jornalístico. Transmitidos em sua maioria no calar da noite, têm a difícil tarefa de "prender" o público.
Para isso, os entrevistadores utilizam práticas que omitem a essência jornalística da entrevista, transformando seus programas em entretenimento. Em alguns, não existem nem vestígios de jornalismo.
O difícil é distinguir jornalismo e entretenimento. Fato que se deve, principalmente à superficialidade das entrevistas nos programas. O tempo é curto para muitas informações e muitos entrevistados. Vários conteúdos são abordados em um único programa, mas nenhum é aprofundado.
Há ainda apresentadores de talk-shows, que para chamar a atenção do telespectador, ocultam o brilho do entrevistado. Outro problema evidente, os entrevistados podem se sentir constrangidos quanto ao nível das perguntas expostas, que podem denegrir a imagem do mesmo.
Há um programa em especial que mistura entretenimento com um pouco de jornalismo - o
Programa do Jô. Este, que, como o nome diz, é apresentado por Jô Soares, é transmitido todas as madrugadas pela Rede Globo. Jô entrevista três convidados por noite; sejam eles políticos, artistas ou pessoas comuns.
O seu programa se caracteriza pela abertura, pelas piadas no início de cada bloco e por seus musicais. Claro, não se pode esquecer das gracinhas ou peripécias do apresentador.
"O programa é um bate-papo, um jogo de tênis. Eu mesmo brinco: 'Sou um gordo exibido'"; declarou Jô a uma entrevista concedida à
Folha de S. Paulo. O talk-show da Globo, realmente perdeu seu caráter jornalístico - se é que algum dia teve ou pretendeu ter. "(...) O meu programa já tem esse perfil (...) é de entretenimento."; confirma Jô.
Bate-papo informal
Infelizmente, o
Programa do Jô, não foi o único a perder o enfoque jornalístico em suas entrevistas. O fato é que ele torna mais notável essa perda. O Canal Livre
e o
Passando a Limpo são os programas que ainda cultivam um caráter jornalístico. Ambos são apresentados ao domingo, o primeiro por Márcia Peltier, Fernando Mitre, Marcelo Parada e Fábio Pannunzio; o segundo por Boris Casoy.
Em suas entrevistas, são levantadas perguntas mais sérias que se aproximam da realidade social. Aprofundar a discussão, continua essencial. Segundo Casoy, toda entrevista deve funcionar como uma conversa amistosa: imprevisível e desorganizada. "Pode parecer caótico, mas é assim que a verdadeira informação aparece", declarou ele à
Folha (5/5/02).
Porém, na maioria das vezes, isso não acontece. Como já foi dito, o tempo é curto. Para piorar, poucos entrevistados têm conteúdo relevante.
O mesmo acontece ou acontecia com o quase extinto programa de entrevistas De Frente com
Gabi. O talk-show, dantes apresentado todas as madrugadas por Marília Gabriela no SBT, tentava preservar sua essência jornalística. Porém, a audiência era mais importante.
''Só vai ficar no ar uma hora quem tiver assunto palpitante. Senão, o telespectador desliga a TV e vai dormir'', explica Gabi. Os assuntos que interessam ao público, são os de baixo nível. Logo, muitos dos entrevistados não têm muito a oferecer.
Hoje, pode-se afirmar que o talk-show em si é um programa como qualquer outro. É entretenimento em forma de entrevista. O telespectador precisa se divertir, sentindo-se como se fosse o entrevistado da vez. Assim, os programas mencionados perdem sua essência jornalística ou de conteúdo relevante. Não se sabe mais qual o intuito da entrevista - promover o entrevistado, ou promover o entrevistador.

criação: lisandro staut |
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