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Padronizado fora do padrão
Fabiana Amaral
Falar do
Jornal da Globo, atualmente ancorado por Ana Paula Padrão, não é tão simples. Primeiro porque o telejornal já nasceu
diferente. Com uma proposta arrojada para a época em que nasceu, em 1979, quando a TV Globo ainda estava na
puberdade o programa marcou.
O noticiário que teve como primeiro apresentador, o jornalista Sérgio Chapelin, nasceu com um perfil mais descontraído, por assim dizer, que os outros telejornais da emissora. Ele trazia para o seu público, que já tinha tido um monte de informações comuns durante o dia, matérias sobre política, economia e cultura, com uma sessão internacional fixa.
Com o passar dos anos e de âncoras, o perfil foi mudando, mas não muito. Na fase atual, mais informal, com a redação exposta (como praticamente todos os telejornais da emissora) o clima parece mais elitizado. Ana Paula, chefe de tudo por ali, sabe que seu público é diferente. No jornal noturno vão ao ar as principais notícias do
Jornal Nacional, só que mais apuradas.
A correspondência internacional passou a ter um destaque maior sob o comando da pequena notável, talvez pelo fato de ter também a mesma função anos antes. Todavia, também ganhou espaço a tendência de colunistas gabaritados para analisar os fatos mais interessantes do dia e as tendências na política, economia e ambiente internacional, principalmente agora com a guerra de Bush.
Também se fez notável a participação do telejornal nas eleições de 2002. Com a tradicional sabatina com os quarto principais candidatos à Presidência da República, a apresentadora acuou os canditados, não demonstrando nenhum partidarismo e fixando a idéia de um jornalismo arrojado e bem feito.
Tudo bem que não se pode apenas jogar confete. Além das mazelas que ficam escondidinhas nos bastidores, existem aquelas que se podem ver ou deduzir como no caso das férias de Ana Paula, ocasião em que o jornal foi apresentado por William Waak. Todo mundo sabe que o mundo televisivo não é assim o que se pode chamar de lar doce lar, muito pelo contrário, na hora de garantir o emprego e seu lugar ao sol, aquilo mais parece um covil.
Ficou tratado com a direção que enquanto Ana estivesse de férias, na abertura do programa, quando se fala o nome do jornal, continuaria sendo narrado:
"Jornal da Globo, com Ana Paula Padrão, hoje com Willian Waak". Exigência da moça. Forma de mostrar que o "território" era dela.
Contudo, como sempre acontece, alguém cometeu um "erro" e narrou: "Jornal da
Globo, com Willian Waak". Foi o que bastou para a jornalista platinada da casa rodasse a baiana assim que soube. Claro que não gostou da história - sentiu o perigo, que William também é competentíssimo e, monetariamente mais viável que ela - e tratou de encurtar as férias.
Essas e outras acontecem freqüentemente num jornal de porte como o da Globo, mas quem é que quer ou precisa ficar sabendo (além dos fofoqueiros de plantão)? O que importa é jornalismo de qualidade, editorial e técnica. Principalmente hoje é evidente o fato de que o
Jornal da Globo consegue estar no padrão global e ter uma cara completamente distinta. Vai entender.

criação: lisandro staut |
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