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Documentário
semanal
Yana Reis
Completando três décadas em 2003, o
Globo Repórter é um dos programas de maior audiência da televisão brasileira. O programa atinge todas as classes do País por levar o telespectador a conhecer, apreciar e amar o mundo em que vive.
Paulo Gil Soares foi o pai dessa façanha que aproximou os cineastas do Cinema Novo da televisão e traçou as linhas básicas do gênero documentário na telinha, juntamente com Walter Clark, diretor-executivo da TV Globo na época. Sergio Chapelin comandava o programa.
Tudo começou com um convite de Clark para que Paulo Gil criasse os documentários do projeto Shell, resultando em um contrato de dois anos com a Rede Globo. Não podendo completar a série dos documentários da Shell, Paulo Gil depois de alguns meses cria um especial - e polêmico - sobre a Guerra do Vietnã, intitulado: "Vietnã, O Preço da Paz". O especial substitui o horário de transmissão do Globo Shell.
Em 1974, Luiz Carlos Maciel passa a ser redator e editor do Globo Repórter; sua especialidade era trabalhar com arquivos. Naquela época era muito difícil agradar a todos. Devido ao regime militar, os censores estavam presentes na emissora de televisão, atentos a tudo que o jornalismo produzia. Houve muitas perseguições a Gil em virtude das pautas de guerra que ele produzia, tendo que desistir delas muitas vezes.
Ficou a certeza de que haviam descoberto um formato de programa com aproveitamento de arquivos e entrevistas. Nascia o
Globo Repórter com exibição às 23h, na sexta-feira. A equipe tinha que ter jogo de cintura. Afinal, o programa era feito sob a ditadura militar, com sua censura e o medo dos militares criando uma outra censura, a interna, que se limitava apenas à temática - o que já era muito.
Embora cercado de barreiras, o programa crescia em sucesso. Como a censura era grande, a equipe começou a trabalhar com temas de ecologia e também temas policiais, fazendo investigações paralelas, como no caso dos assassinatos de Cláudia Lessin e Ângela Diniz.
O Globo Repórter foi o iniciador de programas ecológicos, o popularizador da palavra Ecologia e das expressões Meio-Ambiente e Eco-Sistema. Em julho de 1973, o programa ganhou também o espaço das 21h, às terças.
Aos poucos, por artimanhas da equipe, o número de temas por programa foi diminuindo. Antes que alguém percebesse, a equipe já trabalhava com um único tema, dando a ele tratamento de documentário cinematográfico.
A equipe do Globo Repórter era composta de jornalistas que também tinham feito cinema e, por falta de produções com as constantes crises do setor, migravam para a televisão com uma perspectiva de fazer jornalismo com linguagem de cinema. O programa contou com os nomes de Eduardo Coutinho, Walter Lima Júnior, Luiz Carlos Maciel, Maurice Capovilla, João Batista de Andrade, e vez por outra experimentavam outros diretores.
O organograma era composto por um diretor, um diretor de criação, responsável pelas pesquisas e texto final, logo substituído pelo que seria o chefe da redação. Editores que ficavam responsáveis pela orientação do programa, repórteres, cinegrafistas, operadores de áudio, produtores de jornalismo e seus produtores de campo e montadores de moviola. Nas viagens, as equipes eram compostas de um produtor, um repórter, um cinegrafista e um técnico de som.
Um dos prêmios mais importantes para o Globo Repórter foi o "Estrela de Prata" do Festival de Nova Iorque, em 1982, que consolidou o programa.
Devido a problemas internos, a direção do Globo Repórter passou para a direção de Robert Feith. Assim, ele deixou de ser um documentário cinematográfico passando a ser um programa jornalístico com reportagens.
O Globo Repórter desde sua criação é um dos programas mais importantes do jornalismo brasileiro e um dos líderes de audiência, cerca de 30 milhões de telespectadores. Sergio Chapelin ainda ancora o documentário, mas por algum tempo foi substituído por Celso Freitas, Marcos Hummel, entre outros.

criação: lisandro staut |
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