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E o radiojornalismo vingou

Fabiana Amaral

Quando o rádio estava engatinhando, lá pela década de 1920, as pessoas apostavam em seu potencial. Mais ainda quando virou mania nacional, alguns anos depois, e lançou estrelas musicais e de todos os outros níveis. O rádio fazia parte da vida das pessoas e sondava seus mais acalentados sonhos.

Com o advento da televisão, entretanto, os entendidos diziam que o rádio estava com os dias contados. Alegavam que a caixinha preta que transmitia, além do som, as imagens o substituiria sem muito trabalho - claro que tudo isso depois de passados preconceitos e incredulidades em relação à TV também.

Não é totalmente mentira que o veículo companheiro inseparável das domésticas e dos amantes de futebol, como ficou estereotipado depois, sofreu um pequeno abalo sísmico, mas nada que representasse de fato sua derradeira e definitiva queda. O que aconteceu após a estabilidade da tevê e passada a novidade das imagens movimentadas foi a segmentação dos veículos em seus respectivos públicos.

O rádio, como qualquer outro veículo em adaptação teve que encontrar seu filão no mercado e se adaptar às mudanças. Ao contrário dos grandes e dispendiosos auditórios, todo o trabalho passou a ser feito em ambientes menores e mais baratos ao passo que, sua programação também teve que se ajustar. O que se viu no decorrer desse período foi uma corrida armamentista midiática.

Com salas cada vez menores e custos cada vez mais reduzidos, as rádios foram ficando paulatinamente mais especializadas em músicas, em detrimento de outras atrações. Radionovelas e programas de auditório foram banidos de sua grade de programações. O dinamismo ficou como marca mais marcante (com o perdão do trocadilho) dessa nova fase do rádio. Não ocupava mais o lugar de destaque na sala, mas ninguém tirava dele o lugar de companheiro inseparável no carro ou no trabalho, de quem queria ouvir músicas ou notícias rápidas.

Eis que surge a CBN

Foi nesse ambiente onde praticamente não se apostava numa rádio que não seguisse o padrão "música-piadinhas-notícias rápidas", que a CBN nasceu. Ela veio ao mundo no dia 1.° de outubro de 1991, lançando um padrão novo de rádio no Brasil, o all news. Embora muito comum nos Estados Unidos e Europa, soava desconhecida no Brasil a idéia de uma rádio que transmitia notícias 24 horas.

Ainda no padrão AM, a CBN começou sua atividade de destaque cobrindo ao vivo a Eco-92, mas logo vieram muitos outros eventos que deixaram em evidência o sucesso do novo padrão de jornalismo no bebezinho da Rede Globo. A Central Brasileira de Notícias ganhou em novembro de 1995 o direito de circular também em FM, o que só fez alavancar sua audiência e penetração na sociedade.

É bem verdade que seu público-alvo não chega a ser o que chamaríamos de vastíssimo, mas seus ouvintes, que variam entre a classe A e B e têm de 30 anos para cima, são fieis à emissora. Ela costuma ser ouvida no ambiente de trabalho e, claro, no carro.

Com uma programação arrojada costurada por jornais, entrevistas e o famoso Repórter CBN que dá "as principais notícias do dia a cada meia hora", ela peca pelo fato de não ter mais transmissoras. Embora alardeie estar nas principais capitais brasileiras, não vai muito longe do eixo "Sampa-Rio-Brasília-BH".

Seu corpo de jornalista está na casa dos 200. A emissora recebe boletins diários da BBC, sucursal brasileira. Contudo algo que não passa despercebido é o alto nível de comentaristas,  que picam cartão diariamente em sua programação. 

Carlos Heitor Cony e Artur Xexéo, do programa Liberdade de Expressão, são um dos mais conhecidos. Arnaldo Jabor brilha em seu O Comentário de Arnaldo Jabor, que vai ao ar três vezes ao dia. Gilberto Dimenstein, da Folha de S. Paulo, também mostra sua voz na CBN.

A CBN é uma rádio nova e em constante expansão. Apesar da insegurança no início do projeto, a emissora mostrou que todo bom insight tem seu público garantido.

Há algumas profecias a respeito do fim do jornal impresso depois do advento e rápido desenvolvimento da internet. Se o velho diário subsistirá as predições dos profetas e filhos de profetas ainda não se sabe, mas se seguir o rumo do rádio seu futuro está mais que garantido. A despeito dos agouros o rádio, especialmente o radiojornalismo, vingou.

                                        



criação: lisandro staut