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Politicamente
informativo
Andréia Moura e Eugenio Martins
Uma proposta ousada suprindo certa carência do mercado. Estas são palavras que resumem o
Projeto Experimental de Jornalismo dos alunos Paulo Henrique Tenorio, Gilson Nunes, Denise Martins, Ana Paula
Geraldin e Gisele Garcia Vilhena. A apresentação segura e o trabalho bem-estruturado
mostram que o grupo soube aproveitar o tempo dedicado ao curso de Jornalismo.
O trabalho consiste na criação de um jornal para a Rádio Cabocla de Artur Nogueira,
pertencente à atual vice-prefeita. No entanto, apesar de ter diploma de jornalista, ela nunca se preocupou em inserir um jornal na programação diária que é basicamente musical. É decepcionante essa falta de interesse. Nossos
colegas notaram essa carência e investiram na idéia. Fizeram pesquisa detalhada visando delimitar o público-alvo e a possível receptividade de um jornal diário na rádio. Constatados os ouvintes, donas de casa, motoristas e vendedores, começou o planejamento de uma programação que atendesse
às aspirações do povo. Com nível de escolaridade médio, a população até que não exigiu muito. Se o jornal agrupasse apenas curiosidades e esportes já faria todo mundo feliz.
No entanto, para os preparados ficarem na média, nunca é suficiente. O grupo mostrou maturidade na estruturação do projeto, que só recebeu elogios. O
Jornal da Cabocla seria apresentado de segunda à sexta, entre às 6 e
7 horas da manhã. Várias editorias, desde as mais comuns, como economia e esportes, até curiosidades e culinária fariam parte da grade. Afinal, segundo o aluno Paulo
Tenorio, um radiojornal é um prestador de serviços para a comunidade.
O grupo enfatizou que o jornal não se restringiria a agências de notícias ou aos acontecimentos da cidade. Seria uma junção de tudo com objetivo de criar um marco regional de informação. A busca pela imparcialidade também é
uma das metas do projeto, na verdade fator indispensável num veículo de comunicação em que o proprietário é político. Depois do planejamento pronto, os alunos gravaram um piloto de uma hora. O jornalista Humberto
Butti, da CBN-Mogi, participou do piloto ancorando toda a programação criada pelos alunos.
Todos ficaram satisfeitos com o trabalho e não pouparam elogios. Enalteceram o envolvimento e a visão do grupo. Como recompensa, tiraram nota máxima: 10.
Em suma, o projeto Jornal da Cabocla revelou-se viável. Resultado de um trabalho duro e muita dedicação. O grupo venceu a primeira etapa na formação profissional. A única dúvida que assalta o pensamento lógico é a de que um jornal como esse se torne instrumento de politicagem. Apesar de ser uma idéia genial com futuro promissor, nada muda o fato de que a "manda-chuva" da Cabocla está intimamente ligada ao poder. Durante os próximos quatro anos é provável que o
Jornal da Cabocla se transforme num veículo informativo e não apenas político.

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