editorial | especial | debate | imprensa em foco| links| lambanças
mídia eletrônica 
| cultura | perfil 
olho vivo 
canal do leitor | e-mail | expediente

anteriores
| próximas edições |
inicial


Novo Tempo

Cristiane Pacheco e Márcio Tonetti

O rádio se tornou o meio e, ao mesmo tempo, a mensagem que encontra guarida no espaço do homem moderno sedento pela informação ágil e precisa. "Eu amo o rádio!", disse Renato Murce, autor de Bastidores do Rádio, que dedicou mais de cinco décadas de sua vida ao veículo. Mas a gana de qualidade existente no jornalismo radiofônico não se deu senão com experimentação e ousadia. E essa é a proposta do projeto experimental Radiojornal para a Novo Tempo. Desenvolvido pelos alunos de Jornalismo do Unasp, o programa propõe à Rede Novo Tempo de rádio uma nova forma de fazer notícia.

A idéia não vem de agora. "Apaixonado" por rádio, Leandro Oliveira já cogita o tema desde o início de 2003. Meses depois, Charlise Alves, Delaine Rodrigues e Isadora Schmitt também abraçaram a idéia. Na justificativa, eles vão direto ao ponto: a Rádio Novo Tempo apresenta carências no meio jornalístico, de modo que, juntamente com suas 15 afiliadas espalhadas pelas principais capitais do País, necessita ampliar a capacidade de gerar informação. Contudo, a equipe não planeja ignorar o que já é produzido, e sim contribuir com a informação imparcial e de qualidade, a custo praticamente insignificante, uma vez que a emissora já possui radialistas qualificados.* 

Ademais, vale lembrar que a justificativa para a implementação de um produto puramente jornalístico só veio após acurada pesquisa. Na grade da programação da rede, apenas o Conexão Novo Tempo, programa apresentado pelo jornalista Elias Teixeira, aproxima-se do gênero. Ainda assim, é praxe a mesclagem de notícias, músicas evangélicas e publicidade. Mas, conforme explica o professor e orientador do trabalho, Amarildo Augusto, "o grande mérito do projeto consiste no fato de facilitar o concílio entre a técnica e os valores da instituição adventista sem ferir os princípios do jornalismo", e vice-versa. 

Há, no entanto, aqueles que reprovam a idéia de se difundir um viés religioso no meio jornalístico. De fato, o projeto não promete abrir mão da filosofia cristã - e com razão, pois a rádio não pode ser considerada como imprensa secular. Antes, conforme aponta o orientador, o Jornal da Novo Tempo intenta ser um instrumento de propagação do Evangelho. "O novo programa sugere um jornalismo imparcial, porém investe em assuntos que tenham a ver com a Igreja Adventista. A iniciativa é positiva, pois possibilita a fusão entre a técnica e o compromisso social da Igreja", explica o jornalista. 

Conforme argumenta o especialista em rádio, professor Sérgio Klein, que analisou e deu aval ao projeto experimental, "o fato de um veículo ser evangélico não justifica a produção de um jornalismo ruim". Neste aspecto, a produção não peca e não deve nada a ninguém. Tal como a Rede CBN, com padrão Globo de jornalismo, o Jornal Novo Tempo busca a excelência, a começar pela ancoragem. O programa-piloto de uma hora - das 7 às 8 horas - segue num bate-papo descontraído entre Humberto Butti e o ouvinte, com informações a respeito das condições do tempo, trânsito e, é claro, sobre os principais destaques do dia. Cabe dizer ainda que o horário escolhido também logra êxito. Pelo bom planejamento, a audiência será garantida.

Jornal como diferencial 

A linha editorial adotada no novo programa é um diferencial no mercado. Partidária da idéia, Isadora acredita que a estratégia de se colocar no ar um jornal que tem uma linha definida especificamente para um público evangélico "possibilita que a população tenha um discernimento maior dos acontecimentos, não obstante relatados de forma superficial pela imprensa secular". Para Leandro, não há modéstia: "O radiojornal está mesmo completo."

Uma vez concluído, e bem-avaliado, o próximo passo será apresentar o projeto ao cliente. A competência e viabilidade econômica já foram alcançadas. E no que depender do ouvinte o apoio será certo. Agora, só resta, então, aguardar. Mas que fique claro que, a não adoção, será fato lamentável para o radiojornalismo brasileiro.

* NR: Entenda-se radialistas, não jornalistas.