|
|
|
editorial |
especial | debate | imprensa
em foco|
links |
mídia eletrônica |
cultura | perfil |
| canal do leitor | e-mail |
expediente | opinião
anteriores | próximas edições | inicial
Uma TV cheia de exclamação
Larissa Garcia
A transmissão ao vivo da agonia do papa, preparou o mundo para o que iria acontecer. E preparou também a imprensa. Todas as redes de TV, jornais impressos, revistas e afins, há muito tempo já selecionavam materiais para a cobertura da morte do líder da Igreja Católica. No sábado, por volta das quatro e meia da tarde, todas as emissoras de TV começaram a transmitir imagens de arquivo do papa e cobriam ao vivo, direto do Vaticano. Na verdade, quase todas. E essa única rede foi responsável por não demonstrar muito interesse pelo fato. Pelo menos, foi o que pareceu.
No exato momento do anúncio da morte do sumo pontífice, a RedeTV! continuou fazendo o que fazia minutos antes: transmitindo uma partida de futebol
de um campeonato inexpressivo. E o que chamou a atenção neste fato é a importância dada ao chefe de um Estado independente como o Vaticano, líder de mais de um bilhão de católicos no mundo. Bem, neste caso, falta de importância.
A Rede Globo mostrou o perfil dos principais candidatos à sucessão. O Jornal Nacional fez uma edição inteira mostrando somente matérias e reportagens sobre o papa. Teria sido isso preparado da noite para o dia, ou melhor, num dia somente, como é o caso de telejornais diários? É óbvio que não. Diante da iminência da morte de João Paulo II, e da importância deste acontecimento, as emissoras organizavam e selecionavam reportagens especiais, colocando repórteres a disposição para a cobertura ao vivo. Enfim, fizeram todo o possível para cumprir o papel de um veículo de comunicação que se preze: informar.
Para o jornalista e radialista, Thiago Gardinali a RedeTV! surpreendeu mais do que Globo, SBT entre outras. Ela explica que a cobertura foi menos monótona e fora dos padrões, já esperados como a apresentação de telejornais no Vaticano como fez o William Bonner, ou as reportagens especiais gravadas com bastante antecedência. Ele exemplifica com o "Augusto Xavier apresentou um programa especial, com ótimos clipes de imagens de toda a trajetória de João Paulo II".
E a informação?
Mas o estilo jornalístico da RedeTV já é conhecido: o "show de imagens " e o jornalismo popular. A cobertura política e os temas internacionais não têm o merecido espaço. Perdem para temas como criminalidade, tragédias familiares, catástrofes e outros do gênero. Apesar da morte de João Paulo II não ser nenhuma maravilha do mundo ocidental, não é o tipo de assunto que a RedeTV! costuma transmitir. Os de mais destaques são programas como o
Repórter Cidadão, apresentado por Marcelo Rezende, ex-apresentador do
Linha Direta, da Rede Globo, são campeões de audiência na emissora. É possível perceber o tipo de jornalismo feito com essa linha de temas e profissionais.
De fato, essa despreocupação com a cobertura reflete uma coerência com a realidade da emissora. Já que todas as redes estavam noticiando o fato, e a emissora não teria diferencial, a emissora manteve sua programação. Afinal, a falta de preparação não justifica erros crassos. O que aconteceu foi uma reformulação da cobertura, em que se deixou de fazer tudo em tempo real, e se passou a fazer algo mais lento e reflexivo.
Apesar de tudo, essa pretensa falha não parece ter sido premeditada. A RedeTV! não tinha mesmo imagens do acontecimento. Mas surpreendeu, sendo a única emissora a colocar uma tarja preta no canto superior esquerdo da tela em sinal de luto. Mas o jornalismo parecia comprometido. Mas ignorar o seu papel frente a outros veículos não esclarece a sua função.
Ao negligenciar um acontecimento tão importante como a morte e a sucessão papal, a RedeTV levanta mais uma vez a discussão sobre a qualidade da informação transmitida nos meios de comunicação de massa no Brasil. A competência daqueles que pretendem prestar um serviço à população é questionada. Haja vista que o jornalismo é uma função social. E funções devem ser cumpridas, não por um outro veículo, não imaginando que outros façam. É a visão da emissora e a fidelidade com o público que conta.

|
|