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Faça
o que mando, mas não o que faço
Paulo Henrique Mondego
Para muitos a adolescência foi uma fase da vida que deve ser
lembrada com muita paixão e saudosismo. É nela que descobrem a sensação do primeiro beijo, a dúvida constante de identidade e a busca pela maturidade tão exigida pelos mais velhos. No entanto, os tempos mudaram. Aqueles que acham que adolescência é a descoberta do primeiro amor e crise de identidade, no
mínimo é um tremendo de um "quadrado".
Diante desse contexto, a indústria do entretenimento abusa do poder que tem para levar aos jovens os mais variados conteúdos. A MTV Brasil, especialista em diversão para adolescentes dos tempos modernos, apresenta uma programação rica em música e assuntos que dizem respeito a juventude. Em contrapartida é paupérrima na ética ideológica.
Os programas da emissora variam entre alertas contra as ciladas das drogas, os perigos da aids, gravidez prematura, violência, discriminação, independência social e todos os males que envolvem a juventude do século
21. Desenvolve tão bem seu papel de defensora dos jovens, que até recebeu o prêmio Esso com uma reportagem sobre aids.
Embora mantenha esta postura politicamente correta diante do seu público - que está em busca de uma identidade - não é bem isso que a emissora vive na prática. Com apresentadores de caráter contraditório a ideologia pregada, a MTV oferece clipes e programas de artistas que mal conseguem fazer seus shows por estarem sob efeito de drogas, quando não muito, exemplos de vidas dignos de dó por terem acabado com a juventude com overdoses e suicídios. Não satisfeitos, esses artistas são mostrados como ídolos parecendo não estar ciente do seu público-alvo.
Ora, para onde vai a ética desse veículo? Que crédito tem uma emissora que fala uma coisa e prega outra? Que postura o adolescente vai ter diante desse quadro, já que a MTV é formadora de opinião? Uma coisa é
certa: os que hoje são novos amanhã serão velhos e a eles cabe o destino da nação.

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