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Jornalismo "natureba"

Dayse Bezerra 

Eca! Pensar num telejornal especializado em meio ambiente e ecologia, num cenário único e exclusivo, estilo "floresta Amazônica". Com fundo verde, barulhos de animais selvagens e apresentadores estranhos, vestidos como exploradores florestais. Seria algo cômico e trágico, porque o meio ambiente e a ecologia não são de cores verde. Que bom que este telejornal não existe e a idéia só ficou neste parágrafo. Pois quando o assunto é especializado e aprofundado em temáticas sobre a biodiversidade da natureza e seus "derivados", o Repórter Eco (RE), da TV Cultura, entra em ação esbanjando criatividade.

O telejornal foi criado em 1992 e é pioneiro em jornalismo ambiental no Brasil. Quando começou, seu objetivo era informar e avaliar assuntos da Conferência Mundial das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92, mas teve suas expectativas superadas em relação ao público. Durante os doze anos de programação tem ganhado respeito e credibilidade por parte de cientistas, ambientalistas, ONGs, estudantes e curiosos pela área.

Todos os domingos às 19h (com reprise às quintas-feiras, 24h), o Repórter Eco desenvolve reportagens e séries sobre a vida animal, vegetal e mineral. Aborda também assuntos culturais e históricos, além de sempre manter o público informado sobre meio ambiente. 

Repórter Eco realiza programas de parcerias desde 2001, como o Projeto "Biodiversidade Brasil". Isto inclui o quadro "Biodiversidade", que mostra documentários da diversidade biológica brasileira e o programa Biodiversidade-debate, onde são discutidos os assuntos já abordados no telejornal. O último conta com a participação de convidados especiais, personalidades da área e formadores de opinião.
 
A parceria feita pelo RE e o Projeto Biodiversidade Brasil ganhou o Prêmio Eco em 2003, pela Câmara Americana de Comércio e Prêmio de Iniciativa do Ano, concedido pela Ford e a ONG Conservation International. Talvez os méritos tenham explicações plausíveis que fogem dos padrões jornalísticos. 

Em meio às dificuldades financeiras da TV Cultura, a equipe de produção do RE encontrou soluções criativas e inovadoras para não ficar fora do ar. Este foi o caso do evento Rio+10. O programa fez uma cobertura online para todo o Brasil para facilitar os custos, que por link via satélite seria inviável ao orçamento do telejornal.
 
A criadora do Repórter Eco é a jornalista e apresentadora de TV, Maria Zulmira de Souza. Uma das primeiras comunicadoras especializadas em meio ambiente da mídia brasileira, Zulmira participou do Fórum da ABDL (Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Lideranças) em 24 de julho de 2003 e falou da importância que o RE trouxe para a sociedade: "Dessas iniciativas invisíveis está nascendo um capital social interessante". Como exemplo, citou o projeto de mapeamento da agrobiodiversidade implantado, com o incentivo do RE.

No quadro "Biodiversidade" (22/05), as homenagens foram voltadas para o dia Internacional da Biodiversidade, com curiosidades da diversidade biológica brasileira, que sozinha detêm 20% da toda genética de seres vivos do planeta. Já o Repórter Eco apresentou no mesmo dia a descoberta curiosa de uma espécie de pássaro na Mata Atlântica e estudos sobre a história das migrações humanas por meio do DNA.

Seriam estas informações conscientes ou mais um jornalismo especializado? Para o jornalista, pós-graduado em Gestão Ambiental pela UFRJ, André Trigueiro, a resposta é a junção de jornalistas e sociedade: "O meio ambiente começa no meio da gente".

Se o homem, juntamente com a imprensa, não se conscientizarem da importância em cuidar do meio em que vivem, será preciso fazer outra bandeira. Com a ausência das riquezas naturais exploradas e mal utilizadas, a cor amarela perde seu brilho. Poluições no ar e na água e buracos na camada de ozônio e escurecem o azul anil. As estrelas desaparecem, com a falta de cuidado com as cidades, solos, a falta de estudos científicos dos reinos animal, vegetal e mineral. Por fim, sem a consciência de preservar e viver com qualidade, o lema "ordem e progresso" corre o risco de entrar em "extinção".