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Mensagens da garrafa

Angélica Maffi

Só posso avistar à minha frente um mar, mas não é um mar comum, é de lama. Trata-se de muita sujeira. Pergunto-me, como encontrar algo no lamaçal que explique a situação de Brasil? Nenhuma resposta considerada válida chega até mim. Minha única saída é lançar mensagens em garrafas. Algumas delas seguem para praias certas outras se perdem.

Continuo em minha busca por informações relevantes, porém dentro das garrafas encontra-se lixo. Hei! Espere! Já posso avistar, uma garrafa está chegando. Pelo que consta no rótulo vem da praia "Rede Record", e mais, tem remetente: Boris Casoy.

O conteúdo da mensagem da garrafa possibilita muitas descobertas. O autor, Boris Casoy, é autêntico responsável por toda tipografia que está diante dos meus olhos: Jornal da Record.

Boris comanda e edita de forma independente a equipe que produz o jornal. Então toda e qualquer ideologia que o veículo defenda pertence ao âncora. Desde 14 de julho de 1997, a emissora conta com a opinião explícita e a forma de jornalismo claro de Boris. Contudo o telejornal apresenta-se como independente, crítico e "não partidário". Será que a sentença confere com a realidade? 

Quanto à lama que o "mar Brasil" se tornou nos últimos meses, vê-se nitidamente a posição que o veículo assume. Aprofundemo-nos mais do que na simples premissa que todos somos contra o mensalão.

Neste último dia 22, Boris lamenta pela posição de Lula, "nosso presidente tem medo. Porque não concedeu nenhuma entrevista coletiva com perguntas livres dos jornalistas. Isso é uma vergonha", ele diz.

Em entrevista ao Portal da Imprensa, Boris declara que sua cobertura incisiva do escândalo do "mensalão" já custou muito caro para a emissora. E delata o PT. Segundo ele, o Partido dos Trabalhadores pressionou violentamente a direção da Record para que ele fosse demitido. A ameaça abrange o corte de verba publicitária do canal. Em meio a essa bagunça é fácil perceber que seu jornal discorre firmemente contra o governo de Lula.

Outra frase que avalia a posição do Jornal da Record é: "eu não defendo o 'fora Lula'", dita por Boris. Mas em nenhum momento faz questão que se mantenha esse governo. É bom que isso fique bem claro.

O impeachment

Todos se perguntam: e o impeachment? É outro fator claro. Segundo Boris existe uma diferença extremamente forte entre esse caso em questão e o caso Collor. Em 1992, Collor tinha rompido com praticamente toda elite brasileira. Mas Lula tem sido cauteloso. Ele segue com o apoio decidido das elites. Collor desafiou os bancos, o ramo automobilístico, a FIESP... Ele foi contra a elite brasileira. Contou também com mãozinha desgraçada de Pedro Collor, o motorista, então a casa caiu. Hoje não há interesse por parte de a elite brasileira prejudicar a administração de Lula. Por enquanto o impeachment está fora de cogitação.

Boris exemplifica sua posição contra o impeachment com a sentença de Collor: ele foi absolvido em todos os processos segundo a decisão da justiça. Isso faz com que Collor volte quando quiser para o Palácio do Planalto. E o processo de impeachment é político.

O Jornal da Record mostrou-se contra a ideologia petista. "A máquina está lá, de boca aberta. É aquilo mesmo que o Jefferson disse, sobre a 'síndrome da abstinência': 'os pássaros de biquinho aberto esperando a comida", afirma Boris. 

Sob toda a analise feita do telejornal da Rede Record constata-se uma única conclusão: O veículo defende as causas humanas, ou seja, o povo brasileiro, com ou sem impeachment. Com ou sem Lula, mas sem corrupção. 

Esse mar de lama tem que terminar. Caso contrário, à tarde de sol na praia terá bandeira preta. O que importa? Já nos afogamos algumas vezes. Mas, se com toda essa poluição na água, tubarões ainda sobreviverem, então você leitor continue lançando suas garrafas, até que chegue uma resposta que realmente fará diferença na urna em 2006.