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Domingo sensacional

Cíntia Sandri

Domingo, dia de programas de auditório, concorrência no Ibope entre a Rede Globo e o SBT. Vale apelar para tudo, desde gente de destaque do meio artístico até pessoas desconhecidas fazendo qualquer coisa para ganhar prêmios em dinheiro. Cada um faz o que pode para chamar a atenção e assim aumentar a audiência. Como se não bastasse o apelo sexual, com dançarinas seminuas ou pessoas procurando sabonetes numa banheira, o Domingo Legal, programa de Gugu Liberato, resolveu tentar um novo modo para atrair os telespectadores que ficam passeando pelos canais de televisão no domingo: o "jornalismo".

A nova tática é o chamado "sensacionalismo barato". Qualquer notícia é transformada em um alarmante jornalismo investigativo, onde a busca incansável da verdade torna-se o "principal objetivo". Na reconstituição do fato, como não poderia faltar, entrevistas com testemunhas criam um verdadeiro clima de suspense. Tudo isso é feito para que o telespectador sinta na situação na pele; fique curioso e queira saber o desfecho. O jornalismo à la Domingo Legal quer domesticar o povo com novas alternativas de entretenimento. 

A que ponto chegou a televisão brasileira? A evolução aconteceu realmente muito rápida. Há algumas décadas, por exemplo, um beijo na televisão era um absurdo; hoje passa despercebido. Uma notícia chocante era comentário de uma semana; agora é preciso apelar para o sensacionalismo, porque não é qualquer notícia que vai chamar a atenção do público. 

A televisão já induziu tanto ao sensacionalismo, que as pessoas querem ver isso. Afinal, tudo parece tão sem graça sem um "exagero" por parte dos programas. O povo pede fatos inéditos e sensacionais para matar sua sede de fatos chocantes e o Domingo Legal cada vez mais injeta esse sensacionalismo. Isso acaba se tornando um círculo vicioso, centrado nesta forma errada de fazer jornalismo.

Mas tudo se reúne em uma questão: Um apresentador de programa de entretenimento entende de jornalismo ou de sensacionalismo?

                    



criação: lisandro staut