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Fala que eu discuto

Márcio Tonetti

Quando se fala em telejornalismo no Brasil pensamos em três emissoras: Globo, Band e Record. A Globo, porque tem William Bonner. E a Band, agora, Carlos Nascimento. E a Record? Obviamente, porque conta com um dos jornalistas de maior credibilidade no País. As críticas de Boris Casoy marcaram o telejornalismo brasileiro. Mas não convém aqui julgar quem é mais competente, e sim analisarmos o fato de que por trás de um argumento convincente, ou de uma grande experiência, sempre existe uma premissa: a palavra final é sempre da emissora.

Na semana passada a Record martelou o caso da chamada "Operação Vampiro", que envolve denúncias de funcionários do Ministério da Saúde acusados de desvio de verba pública, e mau gerenciamento dos recursos. Numa reportagem de três minutos, dois deles foram imagens. 

Mas convenhamos, se os acusados são os funcionários e o "homem de confiança" do ministro, Luiz Cláudio Gomes da Silva, porque mostraram exaustivamente a cara do Humberto Costa? 

Bem, segundo a sonora do ministro, Márcio Thomas Bastos, divulgada no mesmo dia, a Justiça vai continuar a investigação e qualquer pessoa dentro do governo que estiver envolvida, mesmo que com altos cargos, será punida. Não seria uma atitude indireta da Record para incriminar o Ministro da Saúde também? Se não, por que enfocaram que Costa não quis se pronunciar sobre o assunto. A emissora que se cuide para não tornar o fato semelhante às "bicicletas" de Alceni Guerra. 

Já a Band, ficou com um pé atrás. Mostrou poucas imagens e disse que a Polícia Federal ainda está investigando o caso. Apesar disso, tanto a Band, a Record e a Globo estão dizendo, em coro, que o PT está provando ser um partido igual aos outros. Aí aproveitam, e anexam o caso Waldomiro ao caso Vampiro. E a coisa só tende a ficar "vermelha" para o PT.

Agora, quando se trata da Guerra Iraque, todas dão uma pitada de razão aos Estados Unidos. É tanto que Boris, por exemplo, trouxe a tona no dia 21 a questão da tortura de prisioneiros iraquianos por americanos, e disse que "o que assusta é a desproporção da maneira como se trata os Estados Unidos por esses casos de tortura". Embora, segundo ele, esse não seja um caso político oficial do governo, nem dos mesmos setores que se calaram ante as torturas de Sadam Hussein ou das ditaduras chinesas e cubanas. 

Mas nem tudo é tendencioso nos jornais. Cada um tem o seu momento de parcialidade e também de imparcialidade. Nesta visita do presidente à China, por exemplo, ninguém resolveu fazer críticas ferrenhas. Embora alguns demonstrem "bronca" com o PT, estão passando a idéia de que a atitude do presidente é positiva. Ou talvez, esperando para ver no que vai dar. Pelo menos é melhor do que falar precipitadamente. 

Mas seja qual for a emissora, sempre haverá divergências de pensamentos e posicionamentos. O que não pode haver são as marcações e as chantagens. Portanto uma solução: reflexão antes de todo e qualquer comentário

                                        



criação: lisandro staut