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Sempre
um por quê a mais
Paulo Tenório
Acostumado ao jornalismo empregado pelas grandes emissoras, o telespectador da TV Cultura pode até achar parecido, mas o
Jornal da Cultura consegue ir bem mais além do que parece. Desde que entrou em vigor, o "jornalismo público" da emissora leva o telespectador além daquilo que sempre é noticiado. Busca-se algo mais, ao invés da informação pura, objetiva. Nesse caso, busca-se maior entendimento dos fatos e abre a possibilidade da discussão pelos âncoras e comentaristas.
Hoje, projeto semelhante é executado com êxito pelo Jornal da Band, apresentado pelo ex-global Carlos Nascimento. Atualmente, o
Jornal da Cultura é um bom emissor de informação. Mesmo sem ter o alcance de reproduzir matérias de âmbito nacional e internacional com a mesma eficácia das grandes emissoras, a Cultura tem uma coisa que as "grandes" não tem - pelo menos tenta ser diferente -: autonomia para colocar na telinha os vários rumos de sua notícia.
A "operação vampiro" para desmascarar uma quadrilha que agia dentro do Ministério da Saúde ocupou os principais espaços nas grades dos grandes telejornais. Quem viu a Cultura na quinta-feira, 21, viu a diferença. Uma bem sucedida reportagem mostrou a ação da quadrilha que agia há pelo menos 10 anos, desde o governo Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e, agora, Luís Inácio Lula da Silva. Nenhuma outra emissora fez isso. As outras redes procuraram mostrar como agia e como foram presos. Não mostraram quanto tempo atuaram sob os olhos do governo. Essa operação causou um desvio de R$ 2 bilhões.
A Cultura atinge o objetivo de produzir um noticiário "voltado para o cidadão". O empenho é sincero. Algo de quem faz jornalismo com dinamismo, seriedade e, acima de tudo, muita criatividade. Não é por acaso que o telejornal tem à sua frente o competente Heródoto Barbeiro. Ainda perde-se um pouco na utilização de três âncoras. Celso Zucatelli mais parece que "caiu de pára-quedas" quando anuncia alguma notícia. Isso acaba quebrando o padrão jornalístico dos telejornais do País.
A falta de formalidade entre os apresentadores ajuda a quebrar a monotonia do
Jornal da Cultura. Mesmo porque o propósito da Cultura é combater o que as outras redes fazem, que é afrontar o espetáculo gerado com a notícia. Ainda por cima consegue se diferenciar pelos comentários de Luís Nassif, um dos mais atualizados articulistas econômicos do país, e membro do conselho editorial da
Folha. Tem Juca Kfouri, que dispensa comentários. Também o animadíssimo Marcelo Tas, com o quadro "Blog do Tas", que traz comentários críticos, com visão ampla dos fatos abordados pelo jornal.
Talvez tanta seriedade torne o Jornal da Cultura um tanto monótono perto do dinamismo difundido pela Globo, por meio do Jornal
Nacional. Porém, acaba sendo menos burocrático que o Jornal da
Record, de Boris Casoy. Em tese, cada telejornal tem o seu desempenho único, diferenciado. É isso que a Cultura apresenta como proposta inovadora. E ao que parece, está conseguindo.
A Cultura fala uma língua mais fácil e acessível para o brasileiro. Em especial, o público paulista rodeado por gírias. Essa reflexão tende a dar certo no telejornalismo brasileiro. Se for investido pelos outros veículos, com certeza pode vingar. Ponto para as outras emissoras, ponto para a Cultura que procurou inovação e conseguiu. É uma maneira de sobreviver muito bem no translado da informação.

criação: lisandro staut |
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