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Pontualidade britânica

Dayse Bezerra

Se durante 24 horas temos muitas coisas pra fazer, imagine uma redação jornalística que nunca fecha e faz uma única coisa: informar. Deve ser uma loucura, pois cada segundo é precioso em oferecer a seu leitor as notícias mais quentes e instantâneas. Foi com esta iniciativa que em novembro de 1999, um grupo de jovens jornalistas, acoplados ao provedor gratuito iG, planejaram criar o primeiro jornal online brasileiro: o Último Segundo.

O jornal online Último Segundo foi desenvolvido pelo co-presidente do iG, Matinas Suzuki Jr, e o diretor de jornalismo do site, Andrea Fornes, apresentando um jornalismo 24 horas com o conceito "velocidade de atualização de seus conteúdos, o tempo todo e toda hora", referindo-se a rapidez e credibilidade na informação. Seu nome e logotipo foram criados por PJ Pereira e Jean Boechat, da Agência Click.

Como porta de entrada dos usuários do provedor iG, o Último Segundo se tornou conhecido no lançamento do portal grátis em 9 de janeiro de 2000. A redação é semelhante às mídias tradicionais, com uma equipe hierárquica e colaboradores, colunistas e freelancers. Além de oferecer serviços e entretenimento aos seus internautas, na maioria jovens. 

Sendo o primeiro jornal da Internet brasileira, o Último Segundo está filiada a Associação Nacional de Jornais (ANJ), em conjunto a outros noticiários como O Dia, do Rio de Janeiro, NY Times, BBC Brasil, Cidade Biz, parceiros regionais, pesquisas da Fapesp e outras agências que servem de referencias e fontes noticiosas. 

Mesmo publicando notícias de outros veículos, o Último Segundo cumpre com ética jornalística, dando crédito ao meio de comunicação cujos dados são fornecidos. Essa prática é comum no jargão jornalístico conhecido como "cozinhar", que significa reescrever uma notícia de um outro jornal, revista ou site.

E prova disso é por meio da imparcialidade nas informações. Pois as matérias são enriquecidas de aspas em diálogos mencionados nas publicações. Sempre mostram os dois lados da história para não se comprometer em qualquer insinuação antiética e partidária na formulação dos textos. Logo abaixo, a imunidade com links de outros sites que abordam o mesmo assunto contando mais detalhes, e a inscrição da fonte pesquisada com seus direitos autorais reservados. 

Isto além de ético trás maior credibilidade ao jornal, e confirma o seu slogan: "O jornal líder de audiência na Internet", segundo o próprio site e o instituto Ibope e Ratings, que mede mensalmente a audiência do iG. Comparado a um relógio que não pára de funcionar, o Último Segundo é considerado o site de notícias com mais rápida atualização, e com o maior número de notícias da Internet brasileira. Média de 1.500 por dia. 

Todo jornal possui uma ideologia imparcial. Mas não tem como fugir da tendenciosidade. E com sutileza, o Último Segundo não foge da regra. Temas políticos e a foto do Presidente Lula já são quase um cartão postal do site. E dentro da ética, não esquece de abordar também as injustiças, e mancadas, políticas e econômicas do país. Tudo com um jogo de palavras como "esta não é a primeira rusga do governo Lula com a imprensa estrangeira", publicada no dia 26/5.

Um dos concorrentes é o site Panorama Brasil, porém com desvantagens na apuração e atualização das notícias. Por exemplo, na matéria internacional sobre combates em Najaf, no Iraque, que destruiu o mausoléu de Ali, lugar santo dos xiitas, publicado dia 25 de maio em ambos. Enquanto que no Panorama Brasil a notícia foi atualizada às 17hs, informando em resumo a morte de sete pessoas e 45 feridos, o Último Segundo antecipara, e às 16h14min, a mesma notícia contando mais detalhes de outros atentados na região. 

Na hora de apurar, não basta rapidez, é preciso "verdade". Como já dizia o jornalista Túlio Costa: "Ética ensina a trabalhar com verdades". Portanto, se o Último Segundo informa com o máximo de transparência os leitores, podemos considerá-lo dentro do código de ética jornalístico. É claro que quando envolve meios de comunicação, nem todas as leis são obedecidas. Ninguém é perfeito. E conforme o jornal, quando erra na apuração, procura logo corrigir. Ainda bem, porque permanecer no erro é burrice.

A vantagem da imprensa virtual é a rapidez na atualização e a interatividade. O Último Segundo é um jornal online que tem esse desafio. Aproveitando o lado ético que defende a liberdade de expressão, os jornalistas e colunistas publicam as matérias e abrem espaço exclusivo para os leitores comentarem sobre o assunto. Interatividade entre leitor e jornalista.

Respeitando a privacidade dos internautas, isso permite a liberdade de opinião. Sendo mais um gancho para o jornal criar um banco de dados, que facilita por meio da análise de seus leitores, as inovações em sua produção e design. 

Tais inovações e tecnologias do site fogem do sentido principal, que é o jornalismo. Mas defini a ética acoplada ao tipo de linguagem online, em que aplica as Leis da Imprensa e dos trâmites legais e éticos utilizados pela mídia tradicional.

                    



criação: lisandro staut