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Verve contra "Bushinho"

Leandro Oliveira

O imediatismo do rádio faz com que as notícias da catastrófica situação mundial cheguem mais rápido a milhões de pessoas. Na CBN, o império norte-americano é destaque em vários momentos. Evidente que as notícias devem ser transmitidas independentes de onde venham, mas outras emissoras conceituadas em jornalismo como Jovem Pan e Bandeirantes também o fazem. A diferença da emissora está no comentarista, Arnaldo Jabor.

Em duas doses diárias, Jabor faz seus comentários na CBN. Sempre irônico e despojado fala de assuntos do cotidiano da sociedade brasileira e mundial. Seu alvo preferido é George W. Bush, presidente dos Estados Unidos. Chamado carinhosamente de "Bushinho" por Jabor, o presidente foi classificado como um perigo maior que o terrorismo.

Temas como "Gangue americana quer ser odiada para exercer com volúpia o domínio sobre a economia mundial"; "EUA investem US$ 500 bilhões por ano em armamentos com intenção de transformar o mundo todo numa só América"; "Bush é homem-bomba de Bin Laden" são algumas farpas soltadas por Jabor.

Dizer se existe lado certo ou errado é difícil, pois ambos têm razões para ser criticados. Bush, porque provoca com atitudes duvidosas e egocêntricas. Jabor, por abusar da liberdade de imprensa. Pois se Bush fosse Lula, seus comentários talvez teriam outro tom. Dizer que Bush é comandante de uma gangue, louco, inconseqüente e terrorista é igual, ou pior, que ser chamado de bêbado.

Ao certo é que após os acontecimentos sucessivos ao 11 de setembro de 2001, a nação estadunidense se tornou alvo constante de análises e comentários de jornalistas. Dentre todo o conteúdo que aparece, encontram-se elogios, xingamentos, humilhações, injúrias e até calúnias. É, pode parecer exagero, mas Bush suscitou o censo de crítica em toda a população mundial.

Na mira de Jabor entra todo mundo. Desde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva até personalidades como o príncipe Charles, Bill Clinton, Tony Blair e outros. Em uma de suas crônicas ele afirma que o príncipe Charles está sendo acusado de "viadagem" com um servo do palácio.

Em seguida Jabor dispara: "É mais um escândalo que os ingleses amam tanto. Mas ele deveria aprender com o primeiro-ministro Tony Blair, que mantém um quente caso com Bush, que, aliás, juntinhos fazem com o Iraque e o Ocidente aquilo que os servos e príncipes podem estar fazendo escondidos dentro dos palácios", afirma.

No que parece uma perseguição ao presidente Bush, ele afirma que não. Segundo ele, na crônica de 13 de novembro de 2003, ele não tem nada contra o Bush. "Afinal, quem sou eu? Minhas opiniões não medem nada. Sou um pobre homem aqui do Brasil. O problema não é o Bush, e sim ele é um pau mandado de um grupo de loucos que há mais de doze anos prepara um plano de mudança da economia americana." Em resumo, "Bush só fez trapalhadas graves com o mundo, unindo fanatismo árabe contra todos nós e jogando o prestígio americano no lixo", conclui.

No auge dos seus quarentas anos, Arnaldo Jabor tem credibilidade e qualidade. Mas deveria ser menos abusado. E Bush e sua companhia não oferecem tantos motivos. Na verdade é a reação da ação. Um faz e o outro relata. Quem talvez se beneficie é a CBN, que tem a audiência dos ouvintes de Arnaldo Jabor, uns por serem fãs e outros para criticar. 

*Todo o material fica armazenado e à disposição dos ouvintes no endereço eletrônico www.cbn.com.br

                         



criação: lisandro staut