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Não
sou jornalista
Delton Unglaub
''I'm a newsman and not a
journalist'', disse Matt Drudge numa entrevista. É praticamente impossível falar de jornalismo
online sem falar de Matt Drudge, considerado o primeiro e o mais bem-sucedido dos representantes na internet.
O site www.drudgereport.com dispõe de uma enorme coleção de manchetes e fotografias, todas
lincadas às fontes originais. A mancha no vestido azul de Monica Lewinsky fez do
site uma referência internacional e continua um dos mais ativos da internet. Está constantemente entre os 250 mais vistos. Considerando que há milhões de domínios registrados, essa colocação mostra o quão poderoso um
site pode ser para espalhar idéias e informação para milhões de pessoas todos os dias.
Histórico
O site foi ao ar pela primeira vez em 1994. Não há nada de extraordinário no design. Ele consiste em páginas com histórias políticas, entretenimento e vários eventos, além de vários colunistas. Algumas vezes, Drudge também escreve. Ele começou em um computador 486 de um apartamento em Hollywood, Califórnia. Hoje, alimenta o
site de um condomínio em Miami, Flórida. Seu amigo mais fiel é seu sócio, Andrew Breitbart, que atualiza o
site de Los Angeles. Drudge recebe informações de contatos com "espiões" dentro dos principais meios de comunicação
americanos e algumas vezes são publicadas antes dos grandes veículos.
A primeira vez que Drudge recebeu atenção nacional foi em 1996, quando publicou que Jack Kemp seria candidato na campanha eleitoral para presidente. Em 1998, Drudge novamente teve grande audiência, quando descobriu que a revista
Newsweek tinha informações sobre o relacionamento inapropriado entre a "estagiária" e o presidente Bill Clinton.
Uma investigação feita pela revista Business 2.0 estima que o site de Drudge
fatura cerca de 3.500 dólares por dia com propagandas. Se somar com o programa de
rádio e subtrair os pequenos gastos com a mão-de-obra, Drudge ganha aproximadamente 800 mil dólares, podendo chegar a mais de um milhão de dólares por ano, simplesmente com o
site.
Gregos e troianos
Críticos dizem que a contribuição de Drudge para o jornalismo é questionável, pois os furos de reportagem são escritos por outros repórteres. A maior parte dos jornalistas
americanos afirma que Drudge peca ao usar o recurso das fontes anônimas, a ausência de verificação dos fatos e o sensacionalismo "mais ou menos
tablóide" também não o consideram um jornalista, colocando-o como a antítese do jornalismo.
Drudge é acusado de sensacionalismo e de "tabloidização" da informação. No entanto, essas são características cada vez mais presentes na imprensa americana, como mostrou a cobertura de casos como os da prisão e julgamento de O. J. Simpson, da morte da princesa Diana ou do caso Clinton-Lewinsky.
Há, no entanto, exceções. Por exemplo, Doug Harbrecht, presidente do National Press
Club. Na época em que Drudge foi convidado a fazer um discurso na instituição, Harbrecht publicamente se referiu a Drudge, não só como um
newsmaker, mas também como o iniciador de uma "revolução" no jornalismo. Ainda acrescentou que o
Drudge Report se tornou uma "referência de ponta para os jornalistas". Prova disso, foi quando a imprensa americana copiou muita das notícias que Drudge publicou primeiro.
"A liberdade de imprensa pertence a quem possuir uma", afirma Drudge em uma entrevista de rádio. A diferença entre a internet e os
demais veículos é a comunicação nos dois sentidos. A internet dá voz tanto a uma criança viciada em
computadores como a um presidente de qualquer grande empresa, ou mesmo a um ex-pastor de qualquer igreja.
Em relação às críticas, Drudge, apresenta três argumentos. O primeiro é que, sem a utilização de fontes anônimas, os repórteres do
Washington Post não teriam descoberto o caso Watergate. O segundo é que fontes anônimas somente são utilizadas porque as fontes "primárias" se recusam a confirmar os fatos, ou mentem descaradamente.
O último argumento é que a imprensa está tão sujeita como o Drudge Report a problemas de seleção das fontes e de verificação dos fatos. Como por exemplo, a notícia dada pela CNN acerca da "Operação Tailwind". De acordo com a emissora, os Estados Unidos "usaram gás letal em uma missão destinada a matar desertores norte- americanos durante a Guerra do Vietnã", em 7 de junho de 1998.
A notícia se revelou falsa posteriormente.
Fontes
"Ten Mistakes That Lead to the Great Fiasco", Columbia Journalism Review, September/October 1998, http://www.cjr.org/year/98/5/cnn.asp
http://encyclopedia.thefreedictionary.com/Drudge Report.

criação: lisandro staut |
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