editorial | especial | debate | imprensa em foco| links
mídia eletrônica 
| cultura | perfil |
  olho vivo | canal do leitor | e-mail | expediente

anteriores
| próximas edições |
inicial


Penâltis 

Cristiane Pacheco

Todo bom brasileiro é chegado a um esporte. Claro que ao falarmos sobre o assunto, muitas pessoas ligam o nome ao futebol. Sinônimo de "paixão nacional", deve ter sido criado por algum apaixonado e relacionou "paixão" com "futebol". A verdade é que muitos, pensando amar o futebol, acham que já conhecem tudo e que podem dar opiniões assim, sem mais nem menos.

Isso também acontece com alguns telejornais esportivos. Mas o jornal Esporte Total, transmitido pela Rede Bandeirantes, foge a essa regra. O Esporte Total constitui uma linha jornalística com muito conteúdo. Nota-se que os repórteres têm domínio a respeito do que falam e explicam com clareza os temas abordados, como ocorre nesse período de Olimpíadas. 

É claro que a ênfase maior é para o futebol, que possui mais tempo e uma quantidade relevante de matérias. Isso é compreensível, pois como todo o brasileiro idolatra tanto o futebol, que se esquece que no Brasil existem outros esportes interessantes como vôlei, atletismo e a natação.

Antes, o apresentador era o polêmico comentarista de futebol, Jorge Kajuru, que foi substituído por Luiz Ceará. Este entrou como apresentador após uma crítica feita por Kajuru minutos antes do jogo da seleção brasileira contra a Argentina ao governador de Minas Gerais, Aécio Neves, e ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira, por distribuírem mais de dez mil ingressos-convite a amigos, empresários e correligionários. Vendo a revolta dos torcedores portadores de deficiência que não podiam ter acesso ao portão de entrada exclusiva porque estava destinado para artistas, políticos e acompanhantes, Kajuru se revoltou e soltou o verbo. Resultado: "Expulsão". Olha a vida imitando a arte. 

A crítica foi feita ao vivo no Jornal da Band, apresentado por Carlos Nascimento, que ainda fez o seguinte comentário: "A gente gosta do Kajuru por isto. Porque ele fala o que ninguém fala e mostra o que ninguém mostra." A partir deste dia Kajuru não voltou mais ao ar.

Dias depois, em nota à imprensa, Jorge Kajuru afirmou: "Não voltei mais porque inventaram uma justificativa de que havia problema técnico, mas depois me avisaram que, por causa do governador Aécio, alguém da diretoria da Band havia descido na redação e mandado me tirar do ar por meio do sr. Juca Silveira."

Ceará, como é chamado por seus companheiros, também assumiu o lugar do ex-apresentador no programa Show de Bola que estreou dia 19 de abril e terminou no dia 27 de junho. Tinha tudo para ser um sucesso, pois seu horário era estratégico, das 19h às 20h30. No programa de estréia, Kajuru recebeu o jornalista e amigo Juca Kfouri, da TV Cultura, o técnico Leão, que na época comandava o time do Santos, e o dirigente Antônio Roque Citadini, do Corinthians. O primeiro Show de Bola marcou quatro pontos no Ibope e deixou a emissora satisfeta.

Mas como sempre tem uma laranja podre no cesto, o Esporte Total tinha que ter a sua. Luiz Ceará, crendo ser o maioral no requisito "futebol", certa vez criticou um árbitro que expulsou o jogador Fábio Costa do Corinthians, por interpretar o seu gesto como sendo abusivo e que supostamente indicaria que o trio de arbitragem estava "roubando" o seu clube.

O apresentador achou que tinha direito de xingar o juiz da partida por se manifestar contra a atitude do jogador corintiano com uma expulsão. Eis as frases: "Existem juízes ruins no Brasil, mas esse Roberto Lopes consegue ser o pior de todos." Como se diz, nem sempre é possível ser agradável a todos. 

O que acontece realmente é que sempre vão existir pessoas que querem saber mais e aquelas que realmente sabem - apaixonadas ou não por futebol. O futebol é sinônimo de alegria, e que a paixão sempre será pela bola. Mesmo que alguns sofram pênaltis.

                                        



criação: lisandro staut