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Tradição
radiofônica
Isadora Schimtt
Esporte é uma coisa que não pode faltar no radiojornalismo brasileiro. Futebol, então, nem se fala. Um simples radinho de pilha, ou até mesmo o mais moderno
walkman, com certeza são peças indispensáveis dos torcedores nos estádios de todo o
País. Mesmo que a televisão seja atraente por suas imagens, nada substitui o bom e velho amigo rádio.
Cada emissora, obviamente, tem um estilo próprio de veicular notícias e debater questões polêmicas. Emissoras
all news - como a CBN e a Joven Pan - geralmente apresentam as novidades do esporte com a mesma relevância dos outros temas. Com exceção, é claro, dos períodos de
olimpíadas e copa do mundo, quando o interesse pelo esporte conseqüentemente é muito maior.
Mesmo assim, não faz parte da cultura das redes desse
estilo provocar debates e promover programas diários que discutam futebol e outros esportes. No Rio Grande do Sul, por exemplo, existe a
Rede Gaúcha AM 600. A emissora - que faz parte do grupo RBS - tem praticamente como pauta diária o tema futebol. Não somente na programação que veicula as notícias, mas também no programa
Show dos Esportes.
No Sala de Redação - quadro em que jornalistas da casa discutem temas diversos da sociedade - sempre existe um
espacinho para o esporte. Principalmente quando o assunto é futebol, pois a rivalidade entre o Inter e o Grêmio é uma das maiores tradições do
Estado.
É certo que o esporte tem relevância nacional. Também - em alguns aspectos, apresentar um papel social dentro do
País - é mais do que saudável explorar o tema e discutir sobre ele. Como o jornalismo também vive do entretenimento, discutir as partidas e reclamar sobre os clubes e
federações também tem sua importância e o seu papel. Mas colocá-lo como um dos temas principais de uma rede de rádio, que deveria primordialmente abordar temas políticos, econômicos
e sociais, não é pertinente nem coerente.
O problema do jornalismo esportivo - não só em rádio, como nos outros meios também - é a nivelação por baixo para conquistar o público. Como o assunto é mais popular, naturalmente o objetivo e a linha editorial terão como maior objetivo entreter e não informar. Se forem analisadas todas as programações das diferentes rádios veiculadas durante o dia, provavelmente serão encontrados muitos elementos que ferem a ética jornalística.
O rádio tem uma responsabilidade tremenda, pois alcança desde o intelectual até o analfabeto. O esporte deve sim estar presente na rotina dos ouvintes. Mas não deve ser o único objetivo que os leva a ligar o aparelho.

criação: lisandro staut |
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