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Esperança futura, presente 

Dayse Bezerra

A falta de investimentos na educação é uma grave realidade que o País sempre enfrentou. A mídia mostra campanhas de incentivo educativo, porém temporárias. Contudo, o sonho de ligar o televisor em um canal que transmite 24 horas de conhecimento, de incentivo à ação educativa e à mobilização solidária, já existe. No ar desde 22 de setembro de 1997, o Canal Futura diferencia-se dos demais canais quando afirma dizer ser "mais que uma TV, um compromisso com a educação". 

Desenhos, programas, jornais e até propagandas educativas são orientadas e elaboradas criteriosamente por uma equipe de apoio profissional de educação para a programação do canal. Seus princípios educativos focalizam o espírito solidário em auxiliar pessoas carentes, o espírito empreendedor, a ética e a valorização do pluralismo cultural.

Mas uma preocupação surge. Como um canal educativo, como o Futura, atinge um público específico e aborda vários programas sem saturar o foco central que gira em torno da educação? Atualmente, um dos métodos didáticos de fixação e conscientização na mente das pessoas é o uso da repetição utilizado pelo Futura - que é feito com equilíbrio e moderação.

Toda a programação possui uma organização da audiência, com horários fixos para atender públicos específicos. O que não falta é espaço para as crianças, jovens, adultos e para os que estão na "melhor idade". Quanto aos níveis sociais, a maioria dos programas é voltada para pessoas leigas que buscam conhecimento. E aproveitando o embalo, o Futura mobiliza um conjunto de ações atraindo voluntários, empresários, instituições educacionais e comunitárias para participarem de projetos sociais. 

Agora faz sentido. Com uma audiência bem-estruturada, pode-se permitir uma construção de grupos específicos que atendam os interesses e prioridades do telespectador. 

O interessante do Canal Futura está na formação da grade dos programas e das "chamadas'' de cada atração que variam de um adulto para uma criança. São 56 programas, entre diários e semanais. 

Com o apoio de ONGs e colaboradores, são unânime as propagandas voltadas para incentivos educacionais. Com destaque ao Instituto Ayrton Senna que, por meio de historinhas do Seninha, deixa mensagens como: "Conserve o que é seu". Outras propagandas enfatizam a reciclagem; problemas sociais e familiares. Mas as apelativas não ficam de fora. Quer um exemplo? Crianças para adoção, "todas as crianças têm direito a ter um lar". Bem justificada, sendo quase um crime ficar de fora.

Em parceria com grupos de apoio, a Globo sempre marca presença com atores e programas. Um deles bem conhecido é o Brava Gente Brasileira que já faz sucesso no Futura. A preocupação, além de trazer conhecimentos gerais, é oferecer programas estudantis como Alô, Vídeo Escola, Telecurso 2000 e Tá ligado? contribuindo para a diminuição da repetência, evasão nas escolas e chances para ingressar na universidade. Sem deixar de fora o Afinando a Língua, com Tony Bellotto. Uma nova visão sobre o aprendizado da língua portuguesa.

Já nos programas infantis, as crianças também são protagonistas principais, como nos Campeões Mirins e Criatividade. Nos intervalos, testemunhais de crianças incentivam a leitura de livros na Galeria da Imaginação. Desenhos como da gatinha Sagwa, contos do Patinho Feio e a Chave Mágica, sempre deixam uma lição para a vida destes pequeninos. Aí se encaixa o já mencionado uso da "repetição para a memorização".

O canal continua crescendo em extensão, chegando às telas dos computadores, com o mundo virtual, e o contato direto com os mobilizadores comunitários, com o mundo real. Esses tais que participam de um trabalho de pesquisa, capacitação e treinamento realizado pelo Futura. 

Por enquanto, o Futura é apenas um canal perdido "num canto de alguma telinha". Mas um dia, quem sabe, transmitirá conhecimento "por todos os cantos do País". 

                                        



criação: lisandro staut