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"Telepublicísticos" 

Dayse Bezerra

Para o telespectador, torna-se angustiante assistir um programa na televisão em que o apresentador faz todo aquele suspense ao dizer: "Fique ligado, logo mais você verá algo incrível", ou, "Não perca, no próximo bloco você ficará sabendo". Esta é uma característica marcante em programas de auditórios. Contudo, essa estratégia publicitária de "atrair e prender o cliente" por meio de argumentos persuasivos, também tem ganhado grande espaço em telejornais. 

A rede Bandeirantes se preocupa com o jornalismo sério se diferenciando pela inovação e dinamismo, rompendo paradigmas e padrões pré-estabelecidos na praxe jornalística. Com quatro programas telejornalísticos o Brasil Urgente, Jornal da Band, Jornal da Noite e Canal Livre, a publicidade é a parceira indiscutível não apenas em intervalos comerciais, mas adaptada na programação destes telejornais. 

O Brasil Urgente, apresentado por José Luiz Datena, está no ar desde 3 de dezembro e 2001. O programa é dinâmico, opinativo e popular. Tem uma linguagem coloquial e consegue abordar assuntos sociais e seus problemas, sejam de comportamento, violência ou policial. O que foge dos padrões é a duração que as matérias podem levar, variando de um minuto a toda edição do telejornal. Às vezes, a mesma pauta é abordada no dia seguinte. 

Seria um tipo de publicidade, explorar, repetir e tocar na mesma tecla o tempo todo? Quem sabe uma estratégia publicitária para se vender ou mobilizar uma informação com uma ideologia?

No livro Jornalismo Diante das Câmeras (1998), Ivor Yorke se mostra preocupado com esta mistura da publicidade no meio jornalístico. Ele alerta que "o dilema moral dos jornalistas de televisão numa sociedade moderna cercada de terrorismo e violência política é retratar fatos com responsabilidade, sem parecer estar encorajando os espectadores com publicidade". 

Sem apelações

Sem querer fazer publicidade. Com uma audiência significativa, o Jornal da Band, apresentado por Carlos Nascimento se destaca pela interação com os jornalistas e a repetição das chamadas para as próximas matérias. O jornal exibido em 14/10 enfatizou principalmente a cobertura completa do debate eleitoral dos candidatos a governadores de São Paulo, José Serra e Marta Suplicy, que só seria às 22h na Band. O telejornal acompanhou todo o ritmo de concentração antes do evento, com o slogan "Band, a rede de televisão das diretas sempre". Tradição que já completou 22 anos em coberturas de debates promovidos pela Band nas eleições.

As demais notícias fizeram parte do Jornal da Band, sempre acompanhado dos comentários de Carlos Nascimento. Como exemplo, após a reportagem da apreensão de quadrilha de roubo, o elogio do apresentador para com a Polícia Federal com seu excelente trabalho no papel investigativo. Não esquecendo de mencionar os quilométricos intervalos comerciais do jornal, que chegam a cansar o telespectador. 

Em História da Propaganda no Brasil, de Renato Castelo Branco, Rodolfo Martensen e Fernando Reis é descrito como a televisão dialoga com a sociedade. De acordo com os autores do livro a televisão se tornou um "veículo publicitário e considerável instrumento político". 

A Band desde a de 1980 se fixou como melhor roteiro esportivo com o Show do Esporte. Hoje seu grande público espectador no Canal do Esporte, acompanha todos os dias o Esporte Total, com duas edições. 

Nas reportagens esportivas, a publicidade se faz presente quando fomenta sobre jogadores ou times. Promover novos jogadores mirins, divulgando-os para dar novas chances no mercado, como foi a matéria divulgada no Esporte Total (14/10), do jogador corintiano Júnior, que veio de Rondônia para São Paulo tentar uma oportunidade de brilhar com a bola no pé. Não adianta disfarçar, isto é publicidade jornalística. 

O jornalismo na Band, esportivo ou não, adquire algumas pitadas "marketeiras", mas isso não diminui sua importância. O que acontecerá no futuro não se pode dizer ao certo, mas, provavelmente, a tendência de transformar a notícia em algo vendável é cada vez maior. Sempre foi. A publicidade é só mais uma arma para que isso ocorra.

Com tradição jornalística e esportiva, a Band cresce em audiência ganhando mais espaço na casas e oferecendo mais espaço para a publicidade. Só não se pode desfocar o princípio jornalístico que informar a verdade para o interesse da sociedade. Caso contrário, poderá quem sabe no futuro existir a troca de programas telejornalísticos para "telepublicísticos". 
 

                                        



criação: lisandro staut