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Efeito
pinóquio
Danielson Roaly
O maior desejo do boneco Pinóquio sempre foi transformar-se em um ser humano que pudesse ter sentimentos, sentir frio, calor, dor, poder amar e também odiar. Seu construtor Gepeto, um famoso artista da cidade, não podia ter filhos e considerava realizado o seu senso de paternidade ao criar Pinóquio.
Um tinha o senso da criação e relacionamento, enquanto o outro o da humanização e carisma. Após muitos problemas e lições de moral, Carlo Lorenzini, autor deste conto de fadas permitiu enfim, que seu personagem principal se transformasse realmente em um ser humano. A obra foi publicada num jornal infantil italiano em 1881, e percorreu o mundo.
O efeito Pinóquio é um retrato do desejo de humanização da sociedade. Por fim, acabou atingindo o meio jornalístico. Esse fenômeno sempre foi utilizado como ferramenta por publicitários. Mas agora também pode ser encontrado nos textos de reportagens e artigos. Agora sob o título de jornalismo literário.
No meio jornalístico televisivo o Jornal da Cultura pode se engendrar como um veículo humanista. Por ser um jornal aberto a opiniões, ele se utiliza muito da ferramenta "fala povo". Busca apresentar o efeito que o tema da reportagem tem sobre o cotidiano da grande massa, do povão.
A utilização de dados humanistas possui uma estética muito agradável, e é também de fácil absorção por parte do leitor e telespectador. Mas este recurso merece seus cuidados. Pode tornar a notícia com cara de opinativa, e não informativa. Isto sem falar das facilidades na manipulação dos fatos.
Mesmo assim, o programa teve alguns problemas com o apresentador Heródoto Barbeiro. Alguns telespectadores reclamaram de dificuldades com a dicção e pronúncia. Estas informações forma retiradas do site do ombudsman da TV Cultura. Entretanto, segundo uma das participantes da diretoria da cultura Solange Serpa, eles pretendem fazer "algum trabalho de fonoaudiologia com apresentadores e repórteres". Pois é, além de ser a primeira rede de TV a ter ombudsman eles ainda têm preocupação com a audição do telespectador.
"Cultura" humanista
Isso porque, no jornalismo literário, a imersão no assunto e na esfera psicológica das pessoas é muito mais incisiva. Busca-se aprofundar no tema proposto, principalmente nas pessoas. Mesmo que seja televisivo como o Jornal da
Cultura, isso pode acontecer. Isso é feito por meio dos enquadramentos nas imagens, no tempo de exposição dos temas e na própria fala do apresentador.
As pautas entregues aos repórteres são geralmente com enfoques culturais e sociais, mesmo quando se fala de assuntos específicos como política e economia, que necessita de uma análise de especialistas. Eles sempre buscam dar enfoque na população.
Sempre apresentando imagens de pessoas comuns, com ângulos abertos, as próprias filmagens das reportagens buscam enfatizar o uso desta ferramenta. Até mesmo na posição despojada adotada pelo âncora, que por algumas vezes se apresenta "largadão", mas com classe, na cadeira.
Por outro lado, a linguagem do Jornal da Cultura o permitiu ser um dos jornais mais acessíveis à sociedade. A causa disso é a busca pela conscientização dos diversos assuntos tanto para pessoas letradas como para pessoas humildes. Possuindo uma crítica aberta ao próprio jornalismo. Confirmando isso, na publicação de 26/10 do Observatório da
Imprensa, o texto de Osvaldo Martins reflete bem esse cenário segundo ele a iniciativa da cultura é a de mostrar um assunto com mais profundidade, é um "jornalismo que aprofunde mais a informação e permita ao telespectador conhecer melhor o seu próprio cotidiano".
Osvaldo Martins continua mencionando que a reflexão para o telespectador pode se dar por vários meios. Segundo ele, o caso das quadrilhas que usavam a internet para fraudar contas, exibido em todo Brasil em 20/10, foi medíocre. Os telejornais das redes Bandeirantes, Record e Globo não explicaram de forma prática como eram as fraudes.
Por outro lado, segundo Martins, a Cultura foi além. Renato Lombardi explicou porque em certos setores o crime organizado está mais avançado que a maioria das polícias estaduais". Isso sem contar que o comentarista Renato Lombardi, mencionado é um dos mais bem preparados segundo Martins.
Desta forma, é permitido analisar os confrontos das diversas idéias e posições. Isto pode ocorrer com a participação de qualificados doutores em antropologia, sociologia economia e política, até a simples, mas inteligente participação do Professor Pasquale. Este último, explicando o uso e desuso de diversas palavras, tudo isso no decorrer do jornal.
Se esta moda pega, quem sabe poderemos ter um verdadeiro relacionamento de confiança de pai para filho. Ou melhor, de Gepeto para Pinóquio. Um jornalismo apresentando uma verdadeira confiança nas informações e próximo ao leitor seria bem mais humano. Quem sabe um dia o Brasil tenha mais jornalistas com coração de Pinóquio.

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