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Exceção em meio ao estresse
Isadora Schimtt
Jornalismo é considerado hoje um ramo de alto risco. Não só pelas ameaças e armadilhas que o profissional pode enfrentar. Mas também pelo cansaço físico provocado pela correria das redações. O ritmo de trabalho nem sempre é dos mais saudáveis, pois muitos viram noites e passam dias atrás de notícias para sobreviverem na profissão.
Mas será que existe qualidade de vida no jornalismo? Depende. Os veículos mensais - geralmente de caráter mais ideológico e especializado - evidentemente dispõem de mais tempo para o fechamento de suas edições. O que beneficia a saúde e, muitas vezes, o rendimento dos profissionais desse segmento.
O tempo que um impresso diário e até mesmo semanal necessita para a execução de suas matérias geralmente é curto. Apesar dos mais experientes já estarem acostumados com a rotina, pouco a pouco, a saúde vai sendo desgastada. Sem contar os cafezinhos e entorpecentes que muitos tomam para se manterem acordados durante a jornada de trabalho.
Se a redação da IstoÉ ou da Veja fica estressante em dia de fechamento, o mesmo não se pode falar da
Super Interessante, Caros Amigos, Claudia e outras. Sendo as primeiras, veículos semanais, muitas pautas acabam surgindo em cima da hora. Já um periódico mensal - por trabalharem geralmente com pautas frias - apresentam uma rotina mais calma e saudável.
Os jornais-laboratórios também não estão livres da análise. Estudantes que escrevem para os veículos diários e semanais, na maioria das vezes, encontram-se mais estressados que os que escrevem para mensais. A estudante de jornalismo da PUC-RS, Paula Pereira - que participou da redação do jornal-laboratório mensal Hipertexto - gostou muito de escrever para o impresso. Ela ressaltou a tranqüilidade e a assistência que é dada pelos professores responsáveis pelo projeto.
Realmente escrever para um veículo mensal pode ser mais inspirador. Não só pelo fator tempo, mas pela tranqüilidade e qualidade de vida, fatores escassos na profissão. Mesmo assim, existem profissionais para todos os tipos de impresso. O que seria dos meios de curta periodicidade se não fossem os seus profissionais? Existem corpos que agüentam e outros não. É uma questão de adaptação e até mesmo de personalidade.

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